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Sonhos e a zona limítrofe

O genial W. Shakespeare coloca o seu testemunho sobre os sonhos, nos lábios do seu mais famoso personagem na tragédia - Hamlet , Príncipe da Dinamarca - "To sleep, perchance to dream" - ("Dormir, talvez, para sonhar"). Nesta peça, Hamlet se vê às voltas com visões e oráculos celestiais, provenientes do que a parapsicologia, hoje, denomina de Sonhos Lúcidos. Na antigüidade, principalmente no Oriente Próximo, os sonhos eram encarados como sendo "Encontros Divinos ou com a Divindade". Através dos sonhos sabia-se o porvir com exatidão, os desejos da divindade à respeito dos assuntos terrenos, aconteciam "canalizações" precisas com instruções preciosas, enfim, recebiam-se verdadeiras epifanias... e, muitas vezes, materializações de objetos que, do mundo onírico, eram encontrados pelo sonhador no recinto onde o sono o colheu. Segundo as Escrituras, os sonhos acompanharam a Humanidade desde o seu início.

Em realidade, naquela época, na listagem das formas de comunicação dos humanos com o divino, o sonho ocupava um primeiro e honroso lugar. Por exemplo: Samuel foi escolhido como "Profeta de Yahweh" através de um sonho, como ensina um sábio de elite, o Dr. Robert K.Gnuse no seu livro - The Dream Theophany of Samuel" - (O Sonho Teofania de Samuel). Um artista do século XIII, um pintor francês, retratou este "sonho-teofania de Samuel" com Iahweh, onde o Deus dos deuses concedeu à Samuel todas as prerrogativas para ocupar o lugar de Eli, como seu herdeiro e sucessor ( I Samuel 3:1).

Na "Zona Limítrofe" do SONHO, onde os objetos ou visões podem ser trazidos para o aqui-agora, há a possibilidade de "sonhar-se que se está sonhando". O original do Jó bíblico, vivia na Babilônia e chamava-se Shubshi, e o texto que narra a sua dolorosa saga foi denominado pelos cientistas de "Ludlul Bel Nemeque" (Eu vou orar para o Senhor da Sabedoria).

Ele carregava uma tábula.
Marduk enviou-me (ele disse).
Para Shubshi, o Combatente Correto,
das mãos puras de Marduk,
eu lhe trouxe o Bem estar.

E quando Shubshi despertou, a tábula encontrava-se junto dele e nela o "sonhador" leu: "nas horas do seu despertar, ele lê a mensagem"... "ele recupera a força e a saúde para demonstrar um sinal favorável ao meu povo".

Shubshi estava curado de todos os seus males físicos e morais e pôde demonstrar ao povo de Deus o seu Amor, Sabedoria e Misericórdia. Em eras mais atuais, no nosso ocidente, encontramos dois gigantes preconizando os sonhos como fontes de cura ou de sabedoria: os psicólogos Sigmund Freud e Carl G. Jung. Daremos um realce especial à Jung e ao seu livro "Os Sete Sermões aos Mortos", escrito em decorrência de um sonho onde Jung não conseguiu responder a contento às perguntas que lhe foram feitas por uma assembléia dos seus antepassados. O psicólogo trabalhou, arduamente, para encontrar as respostas corretas e as forneceu no livro citado. O filósofo Paul Brunton e Robert Monroe, do "the Monroe Institute", conferiram um valor extraordinário aos sonhos e criaram técnicas precisas para a exploração produtiva desta fonte de conhecimentos não explorada ou descartada, presunçosamente, pelos que se dizem "cartesianos", e que parecem desconhecer o testemunho do próprio Rennè Descartes, quem num sonho e numa visão posterior a ele, concluiu que estava certo, que a sua filosofia era tão certa quanto a sua capacidade genial para a matemática. Brunton e Monroe concluíram que somos muito mais inteligentes e perceptivos enquanto sonhamos, do que no estado que conhecemos como estado de vigília. É preciso que se compreenda que existem vários outros patamares encontrados nos estados de consciência alterados, onde o tal estado de vigília comum à todos nós, torna-se um estado de madorna confusa e até desprezível, uma viseira que nos impede de adquirirmos informações exatas e preciosas em todas as áreas do conhecimento, inclusive, no governo das nossas próprias vidas.

- "How to write while you sleep"" - (Como escrever enquanto você dorme) de Elizabeth Irvin Ross, professora catedrática de diversos "Colleges" americanos. A autora descobriu a incrível criatividade que podemos despertar e que está escondida no estado de "sono e sonho", o acesso mais fácil ao gigante denominado INCONSCIENTE, o "velho sábio", que congrega toda a Sabedoria terrena e cósmica. O nosso Inconsciente é parte do grande Holograma cósmico e, portanto, quando o acessamos de forma correta, como, por exemplo, através dos sonhos, entramos na posse de um jogo de "plantas", assinadas pelo "Grande Arquiteto", o que pode e vai modificar, extraordinariamente, toda a nossa vida. Robert Louis Stevenson, segundo o seu próprio relato, escreveu o seu célebre livro "O Médico e o Monstro", aproximadamente, em um mês. O seu relato é impressionante. O escritor nele revela que, durante este curto espaço de tempo, ele sonhava, todas as noites, com capítulos completos do livro e no dia seguinte, era seu o trabalho de relembrá-los e relatá-los, como à uma peça teatral assistida por ele durante a noite. O "velho sábio" necessitava da sua pena, para demonstrar que a humanidade, no seu íntimo, possui uma sombra que precisa ser compreendida e bem trabalhada, precisa conhecer a Luz para nela se apagar.

Carlos Castañeda é um outro cultor do estado de sonho como à um mestre e este ensinamento lhe foi transmitido pelo seu Iniciador o sábio nagual Don Juan. Castañeda escreveu todo um livro dedicado à esta verdadeira universidade do Conhecimento - A Arte de Sonhar -.

Podíamos ficar aqui-agora, escrevendo laudas e laudas de papel sobre sonhos e sonhadores célebres, que construíram parte da sua notoriedade através de um sonho lúcido: Niels Bhor, que descobriu "sonhando" o modelo do átomo, Abraham Lincoln que "sonhou" o seu próprio assassinato e deixou testemunhos, Kekulê que em um "sonho lúcido" descobriu a sua grande contribuição para a Ciência e a Bíblia, já citada, onde os sonhos levaram à "José do Egito" as rédeas daquela importante civilização e à Enoch e Ezequiel à descoberta da "Escada para o Céu".

* Ilustração: Sonhos - divulgação.

 
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