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Entrevistas

Entrevista exclusiva com Patrícia Lucchesi.

Podemos começar com uma pergunta bem simples:
1- Como foi que o homem perdeu sua natureza alada?

Patrícia: Esta pergunta está bastante sintonizada com a tônica das mensagens do livro: Alvorada do Ser, Despertando a Consciência Crística, que contém mensagens canalizadas ao longo de cinco anos de intenso e profundo trabalho espiritual. Bem, posso começar dizendo que a nossa natureza humana é dupla. De um lado, nossa ligação com a dimensão natural, de outro com a dimensão espiritual. A dimensão hominal é uma transição, uma ponte entre a natureza e o divino. Desenvolver a dimensão hominal, em sua plenitude, seria resgatar a natureza e o sagrado, em aliança no reino humano, propriamente dito. Isto implica sintonizar-se com as leis naturais e cósmicas, fundamento pelo qual podemos construir leis humanas dignas da civilização de era vindoura, a era aquariana.



2- Você poderia falar um pouco mais sobre o despertar da consciência na era aquariana?

Patrícia: Com prazer, este é o tema que pretendo enfatizar. A era que estamos findando corresponde a um ciclo evolutivo que abrange um patamar de consciência que será transcendido. Transcendência não é negação, é superação. Todo o arcabouço mental desenvolvido e aprimorado na era de Peixes será preservado, pois é de utilidade inequívoca. Porém, daremos um passo além, enquanto mentalidade coletiva, no ciclo aquariano. Este passo pode ser resumido em três palavras muito simples: síntese, integração e transcendência. Síntese porque estamos vivendo o fastígio do conhecimento científico e portanto o seu limite. A consciência e a ciência deverão estar sintetizadas no novo homem. Avanços científicos são bem-vindos, mas fora da sintonia do amor - mensagem básica do grande avatar encarnado com o nome de Jesus - não há possibilidade de expansão. Isto porque as leis cósmicas, em especial a lei do amor, são essenciais à marcha da consciência, e a ciência nada mais é que o modo empírico e analítico de acesso à consciência. Ciência e consciência estarão em aliança na era que estamos inaugurando.
Integração é outro importante conceito a ser experimentado pela mente humana no ciclo neo-aquariano. Traduz-se no reconhecimento da complementaridade dos pólos, em sua constante busca de equilíbrio, pela harmonia dos opostos. O princípio masculino prevaleceu na era de Peixes. Chamamos de princípio masculino a dimensão racional, o intelecto, o logos, aspecto da divindade presente em nós. Mas, por mais contraditório que possa parecer, o ciclo pisciano foi um ciclo de polaridade Yin, usando a terminologia dos orientais. Esta polaridade fez com que a humanidade permanecesse numa certa latência, no sentido espiritual. A humanidade, assim como tudo na natureza, evolui por ciclos. Cada era corresponde a um ciclo. A era de Aquário é um ciclo Yang. A "gestação" está se completando e a "criança" virá à luz. Esta metáfora corresponde ao despertar. Será uma etapa de conhecimento revelado, acessível, disponível. A humanidade estará, como um todo, mais consciente de sua linhagem espiritual e da interferência de inteligências sutis em seu percurso evolutivo. A canalização faz parte deste fenômeno mundial conhecido como "nova era". Mas canalização nada mais é que a evidência de que a comunicação entre dimensões múltiplas de consciência é possível e tem ocorrido desde os primórdios da civilização. Contudo, ao longo da era de Peixes, muito do que agora está sendo revelado permaneceu oculto, assim como o feto se encerra oculto nas entranhas do ventre materno, aguardando o momento áureo de sua chegada à luz.



3- Então podemos afirmar que a era de Aquário corresponde ao cumprimento da profecia da volta do Filho do Homem?

Patrícia: Exatamente isto. A volta do Cristo desta vez é o despertar da consciência, melhor dizendo, o despertar da dimensão crística da consciência. O Cristo habita o humano, ele próprio afirmou que estaria conosco até o fim... Somos todos uma unidade que corresponde ao "Corpo de Cristo". Esta é a verdadeira lição da Eucaristia: "Eu Cristo."



4- Não veremos então a face do Senhor?

Patrícia: "Olhe para esses pequeninos, estou entre eles'. Dizia o Cristo encarnado. Veremos a face em cada um dos humanos, uma vez banhados pela luz da consciência. Esta é a promessa e também a profecia. "Se a cada um for dado a conhecer, também ao Senhor será conhecido". O princípio e o fim se integram na consciência.



5- Você se referiu também a uma terceira expressão, transcendência...

Patrícia: Isto mesmo, transcendência é o ideal da era nascitura. A transcendência não diz respeito apenas ao espiritual, como supõe a maioria. Haverá transcendência da matéria, a energia densa. Trata-se da transposição de um plano da escada de múltiplos degraus que avançamos pela estrada longa da evolução. A cada degrau, transcendemos o anterior e antecipamos o novo passo. Quando digo transcendência da matéria não estou, em absoluto, afirmando que o corpo será superado ou abandonado. O corpo é o veículo do sagrado. A dimensão material é imprescindível à consciência. Ora, por que Deus se daria ao trabalho de criar a matéria se ela não fosse útil à própria divindade? Nossa missão, ao sermos brindados com o corpo físico, é dar forma ao Plano de Deus. O corpo em transcendência nada mais é que a cura e o resgate de sua verdadeira missão.



6- Podemos então afirmar que a transcendência incidirá também sobre as mentes?

Patrícia: Principalmente. A mente será transcendida, pois, a mente dominante na era de Peixes foi dividida, cindida, dual. Muitos a chamam de mente cartesiana, eu particularmente discordo. Acho que é um demérito a Descartes que, aliás, foi um homem profundamente espiritualizado e superou seu próprio pensamento ainda em vida. Enfim, este tema daria outra entrevista, deixemo-lo aberto... Voltando ao ponto, a mente dominante no ciclo pisciano era esquizofrênica, por estar dividida. Estranho paradoxo, não? Até há pouquíssimo tempo, se eu viesse a público afirmar coisas como telepatia, comunicação extra-sensorial etc, seria, de pronto, taxada de esquizofrênica! Na verdade, a cura desta "esquizofrenia" é exatamente a integração promovida pela mente do novo ciclo que esse milênio inaugura. A mente será curada de sua divisão e muito do que permaneceu oculto será revelado. É como afirma aquela interessante passagem do evangelho de Lucas: "Ninguém acende uma lâmpada e a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama, mas põe-na sobre um castiçal, para iluminar os que entram. Porque não há coisa oculta que não seja manifestada, nem secreta que não venha a ser descoberta".



7- A humanidade, como um todo, estará sendo curada de sua "loucura"?

Patrícia: Vamos deixar claro para o nosso leitor: Não estou afirmando que havia uma loucura coletiva. Uso o termo esquizofrenia mais por associação de imagens, por analogia e para enfatizar a idéia da cisão, da dissociação. Não há nada de errado ou patológico com a mente do ciclo dominante, é uma etapa, um degrau da grande escada. Precisamos passar por todos os degraus. Nem é possível afirmar que a humanidade, como um todo, será curada de sua pretensa doença, que fique claro, isto não existe. A nova etapa corresponde a um despertar para a Unidade e isto pode ser comparado a um grande insigh, quando algo que estava imerso emerge, compreende?



8- Podemos afirmar que a humanidade está em transformação?

Patrícia: Sim, intensa e profunda transformação. A crise que abarca toda a extensão do globo é uma crise de crescimento. É a dor de nascer, tomando novamente a analogia.



9- Esclareça, por favor, o propósito de seu livro dentro dessa visão que está nos transmitindo agora.

Patrícia: O livro traz mensagens simples e não tem pretensão doutrinária. Não há nenhum vínculo religioso nem tampouco intenção moralizante. É um livro de canalizações, cada mensagem corresponde a um insigh original, uma espécie de flash de consciência. Vivemos como que no negativo - falo aqui do filme antes da revelação da foto - sob a luz da consciência, na verdade, um pequeno flash dela, podemos revelar algo da paisagem cósmica. Gosto de comparar o livro a um menino em seu cavalo, experimentando o vento forte em sua face reluzente de encantamento e magia. Tomamos uns trancos, umas pancadinhas leves, como o menino, mas a experiência é prazerosa. A descoberta dos princípios espirituais e das leis que regem o Cosmos, cujo termo símile é harmonia, não se traduz em trabalho penoso, extenuante. Este é o grande equívoco do Cristianismo, reduzir sacrifício a sofrimento. Trabalhar pelo sagrado: o sacro ofício, é uma aventura inusitada e esplêndida.



10- Então a dor não é necessária?

Patrícia: Ótima pergunta. Há um capítulo do livro, as considerações finais, cujo título é: "Há necessidade da dor?" Confesso que fiquei surpresa com a canalização, pois a resposta foi um terminante sim! Existe uma dor de crescer, uma crise que antecede e prepara a transição a uma nova etapa evolutiva. Estamos sofrendo contrações, estamos sob tensão, isto no sentido amplo. Desconheço alguém que permaneça alheio ao momento que o planeta atravessa, mesmo que escolha a reclusão em um mosteiro até os últimos de seus dias.
A dor faz parte do plano físico. Somos como o filho pródigo, que se desprende do Pai e vai dar muitas cabeçadas pela vida afora. Seremos acolhidos com festa, mas nossa trilha pela encarnação é errante. O próprio fato de estarmos afastados da "casa do Pai", metáfora bíblica riquíssima, nos causa uma perda, uma falta. Somos um "vir a ser". Mas não há necessidade do sofrimento neurótico, o qual resulta da recusa ao crescimento. Precisamos trabalhar para superar os limites da mente contemporânea e acabar com o sofrimento inútil.



11- Enquanto nossa transição não se completa, estaríamos correndo algum risco, no sentido de involuir?

Patrícia: As mensagens afirmam que sim. Na verdade não há involução propriamente, mas uma espécie de sucção. Uma grande seleção está se processando e muitas almas serão conduzidas a planos de consciência mais compatíveis com suas necessidades evolutivas. Mas nisto não reside nenhuma vingança divina, é apenas para que o trigo possa ser colhido. Cristo dizia que trigo e joio cresceriam juntos, até que o tempo da colheita chegasse. O ciclo Yang é uma colheita.



12- Haveria alguma mensagem especial para o nosso Jornal Infinito?

Patrícia: "Pedi e recebereis". Faça o que estiver a seu alcance com alegria. A alegria é energia que se eleva. As obras são bênçãos, os frutos são abundantes. Sua vida é uma dádiva, temos todos a luz do Cristo em nosso centro. Ativar a luz central é ouvir a voz do Cristo, cuja morada é o templo interior. Não há necessidade de rituais ou construções, não existem templos fora de nós. Confiar é agir com o coração. Tenha fé, a fé é favorável sempre.

*Patrícia Lucchesi é psicóloga e escritora, especialista em Psicopatologia e Metodologia do Ensino Superior. Autora do livro: Alvorada do Ser: Despertando a Consciência Cristica. Contato com a autora pelo e-mail: p.lucchesi@bol.com.br. Ou pelos telefones: (31) 3464 0318 (Rosângela) e (31) 3411 4083 (Elzarina).



 
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