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O Gnosticismo e a Bíblia

O Gnosticismo é a busca da Gnose ou da Pérola Divina, um sistema especial de comportamentos pelos quais o buscador procura – conhecendo-se a si mesmo – contatar a Deus e os superiores valores da Vida, ou seja, conhecendo-se pela introspecção conseguir seguir seu Mestre Interior para despertar a Sabedoria que tem oculta no próprio inconsciente e Conhecer a Verdade e a Vida.
Quem por essa estrada caminha é um “Gnóstico” ou um “Conhecedor” por si mesmo.

Acreditamos ser de muita valia a todo estudioso de si mesmo e dos evangelhos gnósticos, ter uma clara compreensão da “Viga-Mestra” dos fundamentos do Velho Testamento e da “relação” que esse alinhamento tem com os princípios expostos no Novo Testamento com Jesus pois, nesta comparação reside a base para um melhor entendimento do gnosticismo.
Os ensinamentos de “Moisés” e “Jesus” se completam ou deveriam se completar mas, o ser humano de uma maneira geral não os têm praticados e compreendidos assim.
Conseqüentemente, para seus seguidores principalmente, o sentido da “Vida” perdeu sua identidade ontológica porque as informações desses ensinamentos estão muito prejudicadas e até pode-se dizer que quase anuladas, porque não favorecerem as condições básicas de percepções de que o “caminho” é interior e, que, o desenvolvimento da Consciência pelo auto-conhecimento ou iluminação seja uma conquista de duas etapas.
É verdade que a grande massa popular perdeu o “Horizonte da Vida”, não só por culpa das orientações errôneas de suas instituições religiosas, mas também porque as culturas das sociedades predominantes ainda têm um direcionamento que dignificam certos valores sociais e financeiros que se opõem ou dificultam o desenvolvimento dos valores espirituais.
As culturas, as sociedades e religiões do ocidente, há muito tempo deixaram de ilustrar a procura do entendimento da finalidade da Vida e de enaltecer a conquista interior de valores superiores espiritualizantes, e isso, com certeza, tem ocasionado ou no mínimo facilitado muitos dos graves desvios de condutas e transtornos psicológicos em um grande número de pessoas.
Nota-se facilmente que a grande maioria está vivendo ou “caminhando ao contrário”, isto é, buscando alimentar a própria Vida e adquirir Conhecimentos somente através das energias vindas “de baixo” (do lado animal) e, por isso, continua ainda escrava dessas forças e também espiritualmente cega para os poderes superiores que todos os humanos possuem dentro de si mesmos.
Apesar dos avanços tecnológicos que usufruímos, dos novos conhecimentos científicos da astronomia, da medicina, das relações humanas, etc, percebemos que é muito comum os estudiosos e praticantes religiosos que tentam analisar essa situação de desvirtuamento “do Caminho”, acabarem tendo suas conclusões prejudicadas. Isso ocorre porque ainda há a necessidade individual de certas reformas íntimas e autocríticas que facilitem a libertação do próprio ego das forças e influencias negativas que cada um está submetido, iludido e inclusive oprimido, pelos valores desvirtuados dos desenvolvimentos materiais e econômicos sociais.
Poderíamos dizer que a “visão” que hoje muitos dos ocidentais têm da Vida ainda é a mesma do período representativo como “de Moisés”, quando Ele, isto é, cada um de nós, ao “descer” (conhecer-se a si mesmo) pela primeira vez a “montanha” (dos Conhecimentos) onde se recebe/percebe intimamente as Tábuas da Lei, encontramos (tornamo-nos cônscios do) o povo interior de dura cerviz de cada um de nós (elementares do próprio ego ou do próprio campo psíquico) ainda adorando e valorizando as energias primárias brutais como modo de vida.
As Consciências que se encontram ainda presas à esse estágio de dura cerviz, que por causa dos conflitos e inquietações de um ego bestial e relutante à reformas têm dificuldades de se libertarem, precisam desenvolver e praticar mais corretamente o processo educacional baseado em normas éticas e morais “de Moisés” ou realizadas por Elas.

Apesar dessa necessidade, é importante também saber que isso não é por si só suficiente para a plena espiritualização. Os procedimentos morais da Lei ou dos Mandamentos harmonizam o nível de vida em sociedade mas também proporcionam as condições básicas mentais de serem adquiridos “outros conhecimentos” espirituais, para o buscador poder se tornar verdadeiramente “Senhor de si mesmo” ou “livre”.
Bela Bíblia verificamos que, com os ensinamentos tornados públicos tempos depois “de Moisés” ou mais precisamente com os denominados “de Jesus”, é refeito o convite para a conquista de Conhecimentos mais profundos, e, que, poucos estudiosos e praticantes têm se interessado verdadeiramente pelo chamado libertador das energias vindas “de cima” (da Montanha) ou do Mestre.
Com a descoberta principalmente dos pergaminhos gnósticos de “Nag Hammadi”, revelou-se mais claramente que os seguidores do cristianismo têm sido sistematicamente alijados da conquista da “Liberdade” porque foram-lhes tirados e também desvirtuados muitos ensinamentos (como víboras, as chaves do conhecimento – Lucas 11:52) e, conseqüentemente, afastados da correta compreensão dos ensinamentos “de Jesus”.
Analisando mesmo superficialmente esses pergaminhos “gnósticos” descobertos, percebe-se que por causa das contendas ideológicas existentes nos primórdios do cristianismo entre dois grupos divergentes, aquele que se alinhou com os poderes do Imperador Constantino acabou por sufocar, impedindo pela força e com a morte, quaisquer pensamentos diferentes dos seus.
Esses supostos vencedores, estabeleceram as bases de uma história segundo suas conveniências e interpretações, condicionando desde então o entendimento do Novo Testamento como um simples código ético-moral e encobrindo gravemente a “sua” real finalidade.
Desvirtuaram os objetivos superiores de seus ensinamentos de proporcionar a todo Homem “apto” ou não mais de dura cerviz, receptivo aos poderes Divinos, de seguir uma luz em si mesmo promotora das condições íntimas básicas de conquista consciente da liberdade.
Esses acontecimentos limitaram muito as possibilidades espirituais “de liberdade” do cristão porque, o conhecimento dos Evangelhos canônicos segundo essa ótica desvirtuada, faz com que a cegueira espiritual continue e que o nível de consciência permaneça no estágio de escravidão aos valores primários da Vida, iludido pela suposta tranqüilidade proporcionada pela prática superficial das leis comunitárias, como se fossem os únicos objetivos Divinos da Vida.
É bom saber que essa fase é simplesmente parte de um primeiro estágio da evolução espiritual, da qual é preciso procurar libertar-se para poder continuar o próprio desenvolvimento.

Pelo exposto, convidamos o leitor a realizar um pequeno exercício comparativo e revelador da “Viga-Mestra” que norteia todos esses ensinamentos para, como uma circuncisão fecundante, produzir bons frutos que haverão de alimentar a própria Consciência.
A jornada evolutiva interior de qualquer Ser Cósmico encarnado, tem sua trajetória contada simbolicamente no Velho Testamento pela estória dos filhos de Jacó/Israel e de Moisés e no Novo Testamento por Jesus. Relatam ambos, o desenrolar da jornada interior e individual de cada ser humano através de si mesmo e do despertar do poder intrínseco de GNOSE que todos nós carregamos.
Com a “estória”(com “e”) de Israel & Moisés (Êxodo 3:10 – 4:15,16 – 12:40,41, etc) se procura mostrar simbolicamente que a evolução dos diferentes aspectos da Consciência encarnada se processa semelhantemente à trajetória dos “doze filhos de Israel” associado Moisés em Terras Opressoras(Egito), em que, - como “povo eleito” conduzido por Deus/Moisés – os 12 filhos buscam harmonia , desenvolvimento e liberdade

Nos primórdios do cristianismo se explicava que essa jornada interior de conquista da Liberdade espiritual é realizada percorrendo-se duas etapas bem distintas:
- a primeira etapa, está contada pelos Livros Gênesis e Êxodo desde o nascimento do ser humano até os aprimoramentos iniciais do próprio ego físico ou das atitudes vitoriosas iniciais diante das perseguições do Senhor da Terra, o Faraó.
Nesta etapa, inicialmente, o ser humano (Jacó com seus 12 filhos) é simbolizado como um povo, no caso “hebreu”, que é conduzido (despertar na) “escravidão” no Egito(Terra Escura ou Opressora) para perceber o estado de prisão pelos poderes do Faraó a que está submetido. É a trajetória de todo ser cósmico encarnado desde o estado de barbárie ou de alheio ao sentido da Vida até despertar-se psicologicamente por um nível de consciência um pouco mais consciente e começar a perceber as amarras que o prendem.
Depois, ainda nessa etapa, cada hebreu ou ser humano após despertado no estado de escravidão, começa a desejar a liberdade e a aprimorar-se ética e moralmente, conquistando o direito de Conhecer a Verdade ou a “sair do Egito” em busca da própria liberdade.
- a segunda etapa, era explicada como de contato com o Mestre Interior e foi contada pelo Novo Testamento com a “estória de Jesus”.
Assim, verificamos que o desenvolvimento espiritual humano é contado como uma “estória” do Caminho “interior” em duas etapas distintas, e, que, todos devem individualmente percorrer, cada um por si mesmo e conforme aprimora seus conhecimentos e a própria vontade.

Note que, o “povo eleito”(Israel e seus 12 filhos) simboliza os aspectos da personalidade humana com algumas “luzes libertadoras” de Moisés ainda presos às muitas tentações das energias escravizantes terrestres. Por isso, nessa fase, cada ser humano tem consigo uma multidão de “elementares” divergentes compondo seus diferentes procedimentos psicológicos ainda se debatendo com as forças nocivas do próprio ambiente genético familiar, educacional e cultural.
É, buscando se conhecer interiormente, que se consegue harmonizar entre si esses elementais e promover uma relação mais fácil deles com a própria Consciência. A introspecção facilita a percepção das condições que os “filhos” estão de submissão e escravidão às energias negativas desses elementais ou do ego dos corpos físicos e, as necessidades de instruções e de reformas, para poder contatar e seguir o Mestre Interior para conquistar o direito de viver no Reino dos Deuses ou na Terra Santa e livre prometida.

Conforme a estória bíblica dos “filhos” de Jacó-Israel, antes e depois de associados à Moisés, para realmente se verem livres da escravidão, têm de buscar Conhecimentos e, adquirindo-os, guardá-los(alimentos) para poderem atravessar(superar) o deserto das encarnações opressivas peregrinando por “40” anos, e cruzar o “Mar Vermelho” (divisa dos conhecimentos), isto é, deve aprender a adequar os verdadeiros valores da Vida Eterna aos percalços do seu “Caminho” terrestre – conhecendo-se a si mesmo. Exatamente como orientam inicialmente os ensinamentos de Moisés para posteriormente serem complementados com os de Jesus.
Jacó-Israel(Gênesis, 35:10) é uma denominação dupla representativa de dois estágios diferentes de escravidão da Consciência do ser humano ainda espiritualmente estagnado ou cego em princípio de transformação:
Jacó&Filhos, representa uma Consciência totalmente escrava do corpo físico e ainda espiritualmente inconsciente ou que vive em período de inverno, isto é, totalmente subordinada aos valores e poderes terrestres do seu corpo (Senhor da Terra, o Faraó), porque precisa se abastecer por essas energias grosseiras para poder se desenvolver impulsionado por elas, exatamente como a natureza que no inverno tem suas forças concentradas e bloqueadas no interior da terra, mas abastecendo as sementes depositadas em seu seio para crescer.
Israel&Filhos, simboliza uma Consciência que superou a fase de um Jacó porque já conquistou alguma consciência espiritual, apesar de ainda estar coagida pelas energias trevosas dos instintos físicos, por isso, vive um tempo de fim de inverno e já rompendo as entranhas da terra em início de primavera/verão em busca da liberdade.

Assim, a evolução das energias “de consciência dos filhos” do ser humano passa por dois estágios de escravidão mais diretas ou de influencias mais fortes pois, a Consciência encarnada tem um primeiro Tempo Escolar de inverno (adormecimento) onde fica totalmente condicionada assimilando os sabores e impulsos das forças instintivas do corpo físico para, depois, rompendo a própria estagnação, começar a querer as coisas para si mesmo.

É um tempo de prevalência e outro de cada vez menos acentuação do egoísmo corporal.
Os 12 filhos/aspectos das manifestações da Consciência encarnada formam suas estruturas e adquirem condições/poderes com a submissão e coabitação com o corpo físico mas, conforme se despertam desse sono e começam a ter vontade de saber das coisas, inicia-se um afastamento gradual dessa dependência para buscarem Conhecimentos e Liberdade.
Examinando a natureza, percebemos que o início do fim de adormecimento de uma semente às energias mais densas da terra, acontece com o “solstício de inverno” que ocorre no 11º mês das estações do ano com os primeiros sinais do degelo do inverno.
A Bíblia explica a mesma coisa com o afastamento de Yosseph (11º filho) de seus irmãos.

Perceba que, o início do fim do “estado” de escravidão de cada humano às energias mais pesadas terrestres está simbolizado e sinalizado na Bíblia pela entrada no Egito de “Yosseph”(José), o décimo primeiro “filho” de Jacó-Israel, abandonado/separado dos demais irmãos, como acontece com qualquer semente que passa por um período de germinação na terra e um de brota para poder haver crescimento real.
(José)Yosseph, simbolizado como 11º filho (Gên.42:) e um dos aspectos divinos da personalidade humana (Jacó-Israel), representa um dos estados/temperamentos do ser humano se despertando no “conhecimento de si mesmo” e tornando-se auto-crítico de um detalhe até então desconhecido para si, ao começar a querer conhecer “por si mesmo” os valores e poderes da Vida.
O início do fim desse estado humano de sono espiritual começa com o despertamento interior do estado de escravidão a que está submetido, isto é, com as primeiras percepções dos entraves do egoísmo pessoal ou do próprio corpo físico.
É um indicativo de que a personalidade já está procurando demonstrar e exteriorizar o desejo de se livrar das influências do ego e ver a luz(verão), de vencer as densas trevas das forças geladas do inverno que estão impedindo o crescimento espiritual à uma Consciência ainda presa e subordinada aos valores-poderes escravizantes terrestres.

Conforme a simbologia bíblica, os filhos da Consciência encarnada emergem das trevas da ignorância “famintos” pelas luzes dos conhecimentos da Vida (Gên.42:1-6) e aprendem que (Gên.41:1-57) o Caminho é interior interpretando um sonho (se conhecendo) que devem se prevenir (se preparar) para a carestia que virá num futuro próximo enchendo de conhecimentos seus celeiros durante sete anos de prosperidade (período de “obras” ou de auto-conhecimentos).
A Bíblia, inclusive, detalha mais ainda esses acontecimentos, dizendo que os “doze” filhos de Jacó(temperamentos de cada um de nós) são levados pela fome de conhecimentos a conhecer o Egito ou a si mesmos, e, ali, nessa busca, permanecem por “430” anos (Êxodo 12:40-41) em processo de harmonização entre si, ou seja, (4+3ú 0 = 7ú 0 = “sete” potencializado ou certo período terrestre de obras completado, para a aquisição de um determinado nível de consciência).
Quando os temperamentos de uma pessoa estão relativamente unificados pelas “obras” que o auto-conhecimento promove, conquistam o direito de deixar a escravidão em bloco, NASCENDO DE NOVO depois de dez contrações de parto ou de pragas como diz “Annick de Souzenelle em o “Simbolismo do Corpo Humano”, com a décima presidindo a PÁSCOA (passagem). São acontecimentos indicativos de que, quem as sofre está em processo de RESSURREIÃO como quem mesmo estando na Terra busca subir ao Céu Interior procurando na sua mente a Terra de Sabedoria e Paz prometida.
Isso tudo significa que, superando o período inicial de adormecimento da Consciência ou de barbárie espiritual das suas manifestações, o ser humano tem condições de se perceber a si mesmo em escravidão(ver-se no Egito) e de buscar a própria libertação conhecendo-se mais profundamente e de relacionar-se mais conscientemente com os valores escravizantes e prazerosos terrestres.
Todo ser humano que proceder assim, estará gerando de si mesmo e para si como um parto, um teor vibratório que o capacita atravessar a fronteira(Mar Vermelho) psíquica-mental que separa as suas energias interiores consideradas como da Terra e do Céu.
Tais “obras” quando são mais claramente definidas e/ou construídas com a prática dos “Dez Mandamentos da Lei”, representam conquistas que são simbolizadas por 10(dez) dores prenunciadoras de um parto de Páscoa ou de “irradiação nova”. Essas dores de gestação “da Vida Eterna”, esotericamente, também são identificadas como batidas à Passagem Estreita ou ao “Portal dos Homens” de acesso ao próprio inconsciente.
Passar por essa “passagem” é o mesmo que atravessar o “Mar Vermelho” ou adquirir vibratoriamente os meios de galgar mentalmente com os 12 (doze) filhos, os doze degraus apostolares de consciência crística livre unificada (fundamentos para receptividade da Nova Jerusalém – Apoc.21:12) promotora de uma outra condição básica que capacitará o buscador a “passar” por uma outra fronteira conhecida como “Portal dos Deuses” de acesso ao Mundo das Hierarquias Angélicas.
Compreendendo Jesus, podemos restaurar simbolicamente a trajetória superior da mente humana que ocorre na segunda etapa(após o mar Vermelho) do Caminho para a Terra Prometida. Verificaremos que seus ensinamentos estão direcionados para quem j harmonizou psiquicamente os 12 filhos e não para os de personalidade múltipla(povo) ou desconexa e ainda necessitando aprender as instruções primordiais de Moisés.

O Natal de Jesus é a manifestação/união no psíquico da energia “de cima”(superior) que estava oculta e inerte, simbolizada pela energia perfeita(uma) do Céu que desce às profundezas desérticas da Terra para realizar os seus esponsais, cumprindo a Promessa do Messias que desceria como Noivo às vibrações humanas em busca de sua noiva néscia (Mateus,25:1-13) e para libertar a Consciência do Homem.
É um acontecimento que se inicia na manjedoura da alma animal humana porque, como tudo ocorre interiormente, é no corpo psíquico-animal do corpo físico o local de desenvolvimentos dos níveis espirituais dos seres humanos, por isso, Jesus, como relata a Bíblia, nasce na manjedoura porque não há vaga na hospedaria para a Mãe Divina projetar seu Filho Perfeito (Lucas, 2:7), porque o corpo físico j está ocupado pela Consciência do Homem.

A Páscoa, é na verdade uma fantástica festa de casamento entre duas energias interiores do corpo físico com o Deus Interior. É uma festividade da qual somos somente convidados, somos sim um convidado de honra e muito especial mas, dela só podemos participar integralmente se conseguirmos passar por duas “passagens/portais”: uma parte externa periférica da festa e a outra no interior do recinto dos esponsais como caminho para o Reino Angélico – simbolicamente conhecidas como Portal dos Homens até a abertura do Mar Vermelho e a outra até o Portal dos Deuses.
A primeira própria para o estado de consciência que já procura conhecer-se a si mesmo fazendo com que suas reflexões passem ou acessem(sentido mais correto) energias do inconsciente mais liberalizantes. Enquanto que a segunda, permite passagem para o Reino dos Deuses ou Angélicos da Nova Jerusalém somente às Consciências que tenham conscientemente suas energias interiores casadas.
Todo o “Caminho de volta ou da festividade” do Noivo é de Ressurreição para o ser humano, porque, como tem as energias que compõem seus corpos interiores em processo de casamento com o Noivo, seu Mestre Interior, ele, ao seguir o mesmo Caminho estará adquirindo “vestimentas” que lhe conferirão direitos de entrar no Reino dos Deuses pois, conscientemente está se libertando dos valores terrestres do Faraó e aprendendo a dominar as amarras do Egito.

Entretanto, muitos estudiosos têm apresentado uma noção de “ressurreição” que dificulta muito o seu pleno entendimento por limitá-la a uma simbólica e especial iniciação dentro do Caminho espiritual evolutivo. Tem sido comumente analisada e apresentada como uma simples parte da festividade de “casamento”, como a penúltima etapa ou a que antecede o momento da completa harmonização pela Câmara Nupcial das energias interiores do ser humano com o Mestre.
Enquanto que, a ressurreição é todo um processo ou uma sucessão de estados de sublimação da Consciência que segue a Luz interior de “retorno e casamento” em duas etapas, com cada uma delas antecedendo uma “passagem/Páscoa” de acesso à novas e superiores energias. É uma denominação que indica os efeitos libertadores de um especial processo de transformação interior que o ser humano realiza “conhecendo a si mesmo”, isto é, um padrão magnético de Vida Nova indicativo da “saída” dum estado d’alma próprio do Egito e de quem vivencia valores espirituais que o justificam a “passar” os portais do Caminho para o Reino Prometido.
A “primeira fase” da ressurreição para a Páscoa de Moisés, faz com que o lado da personalidade múltipla(doze irmãos/ Êxodo.3:10) mais harmonizada passe pela “Porta Estreita” externa da festa e percorra o “deserto” interior(Êxodo.13 – Êxodo.14) de superação dos instintos (Reino das Potências ou de Pan), em busca da Terra Prometida(Êxodo.33) do outro lado do “Mar Vermelho” estabelecendo as condições de contatar com o seu Deus Interior.
A “segunda fase” da ressurreição para a Páscoa do Cristo, faz com que o ser humano com certa harmonia psíquica mas já em contato com seu Mestre Interior, participe intimamente mais diretamente das festividades de casamento e que caminhe em direção ao “Portal dos Deuses” ou aos portais de entrada na Nova Jerusalém.
Nessa fase, o arado precisa sulcar mais profundamente a personalidade para extrair do corpo físico todos os fermentos que haverão de se transformar com as energias dos corpos mentais, nos 12 Pães ou frutos que fundamentam o muro da Nova Jerusalém celestial como as vestes do Deus Interior de si mesmo que, ali estão, para proporcionar condicionalmente à Consciência o direito de passagem pelo Portal dos Deuses e à aquisição da Sabedoria dos Anjos.
Veja que Qanah ou Canaã é a terra das peregrinações do Pai e também o “habitat” de Jacó/Israel (Gen.37:1) e “casa-berço” dos doze filhos (Gen.35:22), ou seja, um instrumento “divino” para manifestação e evolução do ser humano até o final da etapa considerada superior – do batismo psíquico com Jesus até o Cristo realizado conscientemente. É na etapa “de Jesus” que o Buscador aprimora seus valores íntimos espirituais e conquista as condições da “unidade com o Pai Interior” – simbolizada pela festa de casamento entre as energias terrestres e divinas na mesma Caná da Galiléia(João,2:1-11), quando, conhecendo-se a si mesmo e por Elas, o ser humano torna-se espiritualmente consciente da Verdade e da Vida ou da Sabedoria Divina.
“Qanah/Canaã/Caná” significam “adquirir” e simbolizam o corpo físico de cada ser humano, o local dos esponsais das energias dos corpos mentais e de assimilação Delas pela Consciência. Um processo pelo qual a Consciência encarnada compartilha e assimila essas vibrações, inicialmente como os efeitos exteriores de um VINHO com seus poderes de influência ou de embriaguez(entusiasmo) que perdem forças com o tempo – o que lhe provoca um vazio e a necessidade de “adquirir” outras vibrações/resultados que sejam para si espiritualmente mais consistentes e profundas.
Essa apropriação energética pela Consciência e os referidos esponsais interiores, não só acontecem conjuntamente mas também são entre si dependentes pois, se, de um lado – há, inicialmente no Caminho espiritual para a Festa a embriaguez por VINHO de pouca qualidade e na chegada “casa” (Cana/Canaã) a transformação consciente da ÁGUA INTERIOR da própria Consciência (entusiasmo espiritual entre as funções corporais psíquicas e as mentais) no VINHO FESTIVO superior de elevada qualidade (João,2:3-11); - do outro lado, há necessidade do corpo físico preparar a Noiva (corpo mental) para o encontro com o seu Noivo(Mestre interior).

Agora, é com o BANQUETE da Santa Ceia do Mestre com os 12 filhos que antecede o momento da “Câmara Nupcial” da festa de casamento que acontece a integração mais íntima pelo encarnado com estas energias, porque, magneticamente elas são totalmente assimiladas pela sua própria Consciência que passa a vesti-las como partes de si mesmo, o que lhe confere o direito de passar os 12 portais dos 4 muros da Nova Jerusalém e entrar no Reino dos Deuses, porque está devidamente vestido para viver no Reino Angélico.
Lembre-se, quando no início da busca da Liberdade(saída do Egito) há uma embriaguez por um VINHO inferior, mas, quando já no interior da “casa das festividades”(conhecendo-se a si mesmo) a ÁGUA da Consciência do ser humano é transformada em um VINHO da mais alta qualidade e, no momento do “Banquete”, este VINHO/ÁGUA tem sua transformação efetivada como SANGUE de Vida Eterna e seu nível consciente ou suas Palavras como PÃES da Sabedoria especial ou na GNOSE que passa a ostentar como uma Pérola de enorme valor (Lucas, 22: 14-20).
Evidencia-se assim, que o direito à eternidade na Terra Prometida não é um privilégio de um povo mas, sim, uma necessidade e responsabilidade particular de todo ser humano ou de cada um individualmente.
Moisés – Moshe(pWXð) em hebraico, é o próprio NOME (XðWp) do Pai – HaShem, mas, com suas letras invertidas, ou seja, é o reflexo do PAI a nível oposto do NOME como o pólo negativo do positivo da energia da Luz.
O termo “NOME do Pai”, significa EM SI energias de um Nível terrestre Divino e Perfeito ou unificado do Pai Criador ou um Seu reflexo, porque Ele está sendo de certa forma “denominado” ou limitado a um Nível de Consciência. Enquanto Moisés, pelas letras que formam sua denominação serem invertidas, corresponde à uma energia que Lhe é oposta mas complementar ou um seu Nível de Consciência vivente que se manifesta de múltiplas formas, é o pólo mental que proporciona ao ser humano o poder de enfrentar o Faraó por estar investido do Poder do Pai.
O crescimento/desenvolvimento de “Moisés” como autoconsciência de “ISRAEL”(ser humano), corresponde à busca da Liberdade ou ao Caminho iluminado pelos reflexos do NOME do Pai, pelo qual todo ser humano haverá de irradiar peregrinando dolorosamente durante simbólicos “40 anos” e também “40 dias” de Jesus, antes de adentrar à eternidade da Nova Jerusalém.
Os primeiros passos da peregrinação pela Liberdade são simbolizados nas Dez contrações de um parto de si mesmo, com o nascimento e aprimoramento da autoconsciência de Israel&Moisés, através da vivência de MANDAMENTOS que proporcionam o despertar das forças ontológicas da própria Mente. Com a 10ª contração, abrem-se as águas/limite(Mar Vermelho) do nascimento do Homem Novo ao mesmo tempo em que o Homem Velho é engolido, isto é, um novo e especial nível de consciência surge das Trevas porque já se projeta de si a Luz do Cristo.
Pode-se notar que os ensinamentos simbolizados pelas “estórias” do Velho e Novo Testamento com Moisés e Jesus complementam-se um ao outro, demonstrando aos buscadores a jornada de conquistas da “Consciência Cósmica”, desde sua chegada ao mundo terrestre humano(Egito) até sua plena libertação e iluminação interior pela Nova Jerusalém, mundo ainda terrestre dos Anjos.
Assim, o “despertar da consciência” é a transformação efetiva da dura cerviz prepotente na aceitação e reconhecimento de um Poder Maior Divino. É um processo crescente de auto-condicionamento de busca e conquista da verdadeira Liberdade que só se principia com a superação dos instintos e o auto-conhecimento do próprio inconsciente pelo arar da própria mente, para que possa produzir frutos portadores dos nutrientes adequados de Gnose da Vida Eterna.

Os Evangelhos Gnósticos de Nag Hammadi falam dos pensamentos e pontos de vista oriundos dessa especial Sabedoria ou Gnose, registrados por anônimos seres humanos denominados “Gnósticos” ou “Conhecedores”.
Aprendamos com Eles e como Eles, a descobrir em nós mesmos, o Caminho da nossa própria Liberdade.

ROBERTO DALTIN
robertodaltin@zup.com.br
Fone: (17) 3521.4207

Nota: Este artigo é a Introdução do livro/apostila “Interpretando o Evangelho Gnóstico de Felipe”, do autor.

 
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