Bem - vindo, Belo Horizonte,
Busca:
 
Choose your languague:

Budismo Zen Inaugura Templo Zu Lai

Ana Elizabeth Diniz
O zen budismo mostra a sua força e a sua cara no Brasil, onde tem perto de 246 mil simpatizantes, o que corresponde a 0,15% da população brasileira, segundo o Censo de 2000. Acaba de ser inaugurado em Cotia (28 quilômetros de São Paulo), o templo Zu Lai, um megaempreendimento custeado por um rico empresário de Taiwan, simpatizantes e praticantes da filosofia zen. Uma arquitetura típica chinesa que surpreende pela riqueza.
O templo que pertence ao monastério Fo Guang Shan (em chinês "Montanha da Luz de Buda", foi inaugurado em outubro. Nele vivem quatro monjas da escola Lin Chi, procedentes da Malásia e de Taiwan. São elas as precursoras desse movimento filosófico que, a cada dia, seduz um número eclético de pessoas.
O templo vai abrigar ainda a primeira universidade livre de filosofia budista da América Latina. O curso ainda está sendo regulamentado pelo Ministério da Educação e vai ter a duração de três anos. Será aberto para leigos e monges.
Os prédios têm salas de aula, meditação, biblioteca, alojamento e templo. Dezenas de estátuas de Buda estão espalhadas por toda parte, dentre elas uma de jade de quatro toneladas, importada de Taiwan. Trabalho não vai faltar para os praticantes zen que vão de ocupar desde a tradução de textos budistas e edição de livros até práticas assistenciais como a doação de mantimentos para asilos e favelas de Cotia, auxílio a desabrigados, atividades com idosos e crianças carentes, meditação zen, cerimônias e, no futuro, a construção de um colégio e museus budistas, hospital móvel, creche, casa de repouso e a criação de um canal de televisão.
Confira a entrevista com a monja Chueh Chen, 43 anos, dirigente do templo Zu Lai, rebatizada no Brasil como "Sinceridade".

Mahakashyapa foi o primeiro discípulo de Buda a captar o conhecimento expresso sem palavras, o que só é possível obter quando se atinge o estado de Buda. Na sua escola como se faz a transmissão do darma?
O venerável mestre Hsing Yün ensina que: "Entre os 84 mil ensinamentos do budismo,
Ch'an (em chinês) ou zen (em japonês) é o mais entusiasticamente estudado e discutido no mundo de hoje. Muitas universidades dos Estados Unidos estabeleceram grupos de meditação. É encorajador ver que a meditação está saindo da reclusão dos monastérios para o mundo moderno, onde está desempenhando papel muito importante.
Descrever o Ch' an não é uma tarefa fácil porque ele não é algo que possa ser discutido ou expresso em palavras. No momento em que a linguagem é usada para explicá-lo, não estamos mais considerando seu verdadeiro espírito. O Ch' an está além de todas as palavras, contudo não se pode deixá-lo inexpresso.

Qual é a origem do Ch' an?
Ele é a forma abreviada da transliteração chinesa do termo sânscrito "dhyana", que significa contemplação tranqüila. Originado na Índia, a lenda conta que durante uma assembléia no Pico do Abutre (Grdhrakuta), o Buda apanhou uma flor e, levantando-a, mostrou-a à assembléia sem dizer palavra. Os milhões de seres celestiais e humanos que estavam reunidos na assembléia não entenderam o que o Buda queria significar, exceto Mahakasyapa, que sorriu. Assim, o Ch' an foi transmitido sem utilizar nenhuma palavra oral ou escrita: foi transmitido de mente para mente. Mais tarde, o Ch' an foi introduzido na China. Durante a época do sexto patriarca Hui Neng, o Ch' an floresceu e desenvolveu-se em cinco escolas, que se tornaram as principais correntes do budismo chinês.

O que é o Ch' an?
O mestre Ch' an Ch' ing Yuang disse que o Ch' an é nossa "mente". Não a mente que discrimina e reconhece as coisas. Ela é nossa "verdadeira mente", aquela que transcende toda a existência tangível. Contudo manifesta-se em toda a existência do universo. Mesmo as coisas mais comuns no universo estão cheias das sutilezas do Ch' an. O mestre Ch' an Pai Chang disse que o Ch' an é a vivência diária. Ele disse que rachar lenha, carregar água, vestir-se, comer, ficar de pé e andar, tudo é Ch' an. Ele não é algo misterioso. Está relacionado com nossa vida diária. Nenhum conhecimento complicado ou repetitivo é requerido. O estado da mente no Ch' na é muit alegre e vivaz.

Qual é o valor do Ch' na na vida cotidiana?
Quando aplicado na vida diária, o Ch' an acrescenta colorido. Expande nossas mentes, enriquece nossas vidas, eleva nosso caráter, ajuda-nos a aperfeiçoar nossa moral e leva-nos ao estado em que estaremos tranqüilos quando nos encontrarmos na beira da vida e da morte.
Quais foram então os ensinamentos que os mestres Ch' an deixaram?
O Corpo é uma árvore Boddhi. A mente é um espelho brilhante. Mantenha-o sempre cuidadosamente limpo para a poeira nele não assentar.

A prática da meditação sempre foi a base do zen budismo. Como é a meditação desta escola?
A meditação Ch ´an minimiza as tensões nas relações interpessoais, melhora as condições físicas e de saúde, propicia desenvolvimento espiritual, proporciona sensação de bem-estar, reduz a ansiedade e a ganância, aumenta a capacidade da mente, estimula o autoconhecimento e aumenta a intuição e a capacidade de tomar decisões acertadas.

Quais as condições essenciais para uma boa prática de meditação?
Sentar, observar uma postura correta, as pernas devem ficar acomodadas sobre uma almofada (tipo colchonete), folgar as vestes, envolver as pernas com uma toalha, girar o corpo em círculos para melhor se acomodar à posição, expelir todo ar dos pulmões, esboçar um sorriso e mantê-lo estampado no rosto durante a prática.

Na sua opinião o que é mais importante para essa linha do budismo zen?
O praticante deve buscar aplicar em sua vida cotidiana três pontos fundamentais para atingir autoconhecimento que o leve ao desenvolvimento da sabedoria que só tem razão de ser se voltada para o bem de todos os seres sencientes, isto é, pela prática da compaixão para consigo mesmo e com todos os seres. São três os pilares sobre os quais o discípulos deve se apoiar: conduta ética (shila em sânscrito), meditação (disciplina mental, concentração) (samadhi em sânscrito) e sabedoria (panna em sânscrito). Além destes pontos é importante que se tenha uma compreensão profunda dos três selos do darma. O primeiro deles é a verdade da impermanência. Todos os fenômenos mudam. Nada permanece o mesmo. Todos os fenômenos interagem constantemente uns com os outros, sempre se influenciando mutuamente e todo o tempo levando a mudanças. Todo e qualquer fenômeno está sempre se transformando.Por exemplo, os seres nascem, adoecem, envelhecem e morrem. O clima no mundo muda de estação para estação e de ano para ano. As estrelas nascem, mantêm-se e morrem. Pensamentos nascem, mantém-se e morrem. A cada momento, o mundo dos fenômenos movimenta-se pelos três estágios do nascer, manter-se e morrer. Nada permanece igual. O segundo selo é a verdade da não-individualidade. Todas as coisas são impermanentes e, além disso, carecem de natureza individual. Não ter natureza individual significa que elas dependem de outras coisas para existir. A palavra "coisas" utilizada nessas frases refere-se a todos os fenômenos, abstratos ou concretos; todos os eventos, as ações mentais, todas as leis, toda e qualquer coisa que possa ser imaginada.
Não existe uma "natureza"ou essência que permaneça sempre a mesma. Se a "essência"de algo não permanece a mesma, como pode ser realmente considerada uma essência? Tudo um dia muda; portanto, não se pode dizer que haja uma essência em nada, muito menos uma natureza individual. O terceiro selo é a verdade do nirvana (como um dedo apontando para a Lua, a terceira nobre verdade aponta para o nirvana. Ela não é em si o nirvana, mas, de fato, nos diz algo sobre ele. Nirvana significa a cessação do sofrimento. Uma vez que o sofrimento é causado pela ilusão, nirvana significa também a cessação da ilusão. Dado que o sofrimento é causado pela crença na dualidade, nirvana significa também cessação da dualidade, ou da crença nela. Nirvana é a cessação da crença em uma "individualidade" e em algo permanente e absoluto. Geralmente, o nirvana é descrito apenas pelo que não é, por não ser um estado de ilusão. Se percebe a mente esforçando-se para formular descrições positivas do nirvana. No entanto, foi precisamente contra esse tipo de descrições positivas que o Buda dirigiu sua sabedoria e suas definições. O Buda disse que em nenhum lugar existe estado, nome ou descrição absolutos. Acreditar no contrário é apenas o início de uma nova rodada de raciocínio ilusório. O nirvana é o fim de tudo isso, é a cessação da ilusão e do sofrimento.

E o carma?
É outro princípio fundamental que pressupõe a compreensão sobre a lei universal de causa e efeito. Carma é um termo sânscrito que originalmente significa "ação". O carma é a lei que governa as ações intencionais. De acordo com ela, todos os atos intencionais produzem resultados, que mais cedo ou mais tarde serão sentidos por quem realizou a ação.
>Boas ações produzem efeitos cármicos positivos, ao passo que os efeitos cármicos das más ações são negativos. Essa lei opera em vários níveis. Existe o carma individual. Mas também há carma para grupos, sociedades, países e até mesmo o planeta Terra como um todo. O carma planetário pertence a todos os seres sencientes que o habitam.

 
Outros Cadernos

Espiritualidade

Clique em um título para ler a matéria:

• 23/05/07 - O JARDIM DE FINDHORN
• 28/09/06 - Correspondente de Deus
• 09/02/06 - JK e Zé Arigó
• 01/02/06 - Padre Eustáquio e Juscelino
• 13/06/05 - Toma lá, dá cá
• 02/05/05 - Dois papas antes da derrocada
• 01/05/05 - Cabala, mapa de Deus para a humanidade
• 26/04/05 - O amor confesso de Paulo Coelho
• 07/05/04 - Frequência Terrestre
• 03/02/04 - Ser Ateu É ...
• 05/12/03 - Budismo Zen Inaugura Templo Zu Lai
• 05/12/03 - Médico psicografa colega do século 17
• 05/12/03 - O Evangelho Como Ciência Curativa
• 17/11/03 - O Gnosticismo e a Bíblia
• 16/06/03 - Sentada à Esquerda de Deus
• 29/04/03 - Espiritualismo ou esoterismo: uma questão de dialética.
• 29/04/03 - Pietro Ubaldi, o arauto do terceiro milênio.
• 13/03/03 - A evolução da yoga pelos séculos.
• 14/02/03 - A cabala como crescimento espiritual.
• 07/01/03 - A profundidade de Krishnamurti.
• 07/01/03 - Renascimento resgata memórias.
• 03/08/02 - Mestre Valentim.
• 12/06/02 - O Universo Auto-consciente de Amit Goswani e a Filosofia do ...
• 20/05/02 - Falsas Expectativas.
• 20/05/02 - Por um novo paradigma em teologia.
• 02/05/02 - Procurando por Deus - um ensaio sobre o despertar.


Séries

O JARDIM DE FINDHORN

• 02/08/07 - 01- UM “CONTO DE FADAS” NO SÉCULO 20
• 02/08/07 - 02 - OS DEVAS
• 02/08/07 - 03 - PETER CADDY CONTA A SUA HISTÓRIA
• 02/08/07 - 04 - EILEEN E A VOZ INTERIOR
• 02/08/07 - 05 - DOROTHY E OS DEVAS
• 02/08/07 - 06 - ROC VERSUS MITOLOGIA
• 02/08/07 - 07 - SIR GEORGE TREVELYAN
• 02/08/07 - 08 - DAVID – O CONTINUADOR DA OBRA
• 02/08/07 - 09 - FINDHORN HOJE
• 02/08/07 - 10 - COMO EM FINDHORN - DEPOIMENTO Nº 1 - PAN.
• 02/08/07 - 10 - COMO EM FINDHORN - DEPOIMENTO Nº 2 - O PRESENTE
• 02/07/07 - 10 - COMO EM FINDHORN - DEPOIMENTO Nº 3 - O GUARDIÃO


Ateísmo

• 04/02/04 - O Ateu


Pscologia Transpessoal

• 12/02/04 - A Natureza Transpessoal da Consiência


   
 
| Copyright 2003 - Todos os direitos reservados ao Jornal Infinito |