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APÊNDICE*

REPRODUZIDO DA REVISTA TRIMESTRAL DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO, RIO DE JANEIRO, 21 DE JULHO DE 1865.

Descrição histórica de uma grande cidade oculta, muito antiga, sem habitantes, descoberta no ano de 1753.

Na Américano interiorjunto de Senhor de Cane seus seguidores, tendo vagueado pelos sertões durante dez anos, na esperança de descobrir as mui famosas minas de prata do grande explorador Moribeça, que por culpa de um certo governador não se tornaram públicas, e, para privá-lo de sua glória, ficou ele prisioneiro na Bahia, até a sua morte, e as minas ficaram para ser descobertas de novo. Essa notícia chegou ao Rio de Janeiro no ano de 1754.

Depois de longa e penosa peregrinação pela insaciável sede de ouro, e quase perdidos por muitos anos neste vasto sertão, descobrimos uma cadeia de montanhas tão alta que parece alcançar as regiões etéreas, e que servia de trono ao Vento ou às próprias Estrelas. O brilho que de lá partia, atraía a atenção do viajante de muito longe, mormente, quando o sol brilhava sobre os cristais de que de compunha, formando uma vista tão grande e tão deleitosa que ninguém podia afastar os olhos daquelas luzes ofuscantes. Ass chuvas começaram a cair antes que tivéssemos tido tempo de penetrar essa maravilha cristalina e vimos a água correr sobre a pedra nua e precipitar-se dos altos rochedos, quando nos aparecia como a neve alcançada pelos raios solares. A benfazeja perspectiva dessa (uina) brilha
das águas e a tranqüilidade do tempo, resolvemos inquirir esse admirável prodígio da natureza.
Tendo chegado ao pé da subida sem qualquer embaraço de florestas ou rios, que poderiam barrar a nossa passagem, mas dando uma volta em torno das montanhas, não encontramos uma passagem livre para cumprir a nossa resolução de escalar aqueles Alpes e Pirineus brasileiros, e experimentamos com esse engano uma inexprimível tristeza.

Arranchamos, com a decisão de voltarmos nossos passos no dia seguinte. Aconteceu, porém, que um negro, indo apanhar lenha, espantou um veado branco, que vira e por acaso, descobriu uma estrada entre duas cadeias de montanhas, que parecem ter sido afastadas pela arte, antes que pela natureza. Mui satisfeitos com essa notícia, começamos a subir a
ladeira, que consistia de pedras soltas empilhadas, de onde concluímos que fora antes um caminho calçado e destruído pelas injúrias do tempo. A subida levou três horas, prazerosas, por causa dos cristais, com os quais nos maravilhávamos. Paramos no topo da montanha, de onde se tem uma ampla vista, e avistamos na planície baixa ovos motivos para despertar nossa admiração.

* A “Descrição constante do Apêndice foi traduzida do português para o inglês pela esposa do autor, Mrs. Richard Burton, e aqui retraduzida do inglês para o português. A versão, portanto, deve estar bem diferente do original. (N.T.).
Percebemos a uma légua de nós um grande povoado, cuja extensão nos convenceu de que devia ser alguma cidade dependendo da capital do Brasil. Logo descemos para o vale, com precaução
poderia ser em tal caso, mandando explorporta a qualidade e que tivessem boa notícia
chaminés, assim sendo um dos sinais evidentes de povoação.

Esperamos pelos exploradores durante dois dias, ansiosos por notícias, e apenas esperávamos ouvir cantar os galos, tão convencidos nos achávamos de que era povoado. Afinal, os nossos homens voltaram. Desapontados no que dizia respeito a não haver habitantes, o que nos espantou grandemente. Um índio de nossa companhia resolveu, então, enfrentar todos os riscos, mas com precaução, e entrar; mas voltou muito amedrontado, afirmando que não encontrara nem pudera descobrir sinal de ser humano. Nisso não acreditamos, já que havíamos visto as casas, e assim todos os exploradores tomaram coragem de seguir o caminho do índio.

Voltaram, confirmando a deposição acima mencionada, que não havia habitantes. E assim, decidimos todos entrar na cidade bem armados e ao amanhecer, o que fizemos, sem encontrar ninguém que dificultasse nossa caminhada e sem encontrar qualquer outra estrada, a não ser a que levava diretamente á grande cidade. Sua entrada é sob três arcos de grande altura, e o do meio é o mais alto, sendo menores os dos dois lados. Em cima do maior e principal, discernimos letras, que, em vista da grande altura, não puderam ser copiadas.

Havia uma rua com a largura dos três arcos, com casas altas de ambos os lados; as fachadas de pedra esculpida já estão enegrecidas; assim inscrições bem abertas (p) ortas são baixas de fei (tio) nas notando que pela regularidade e simetria com que são construídas, parecem ser uma comprida casa, sendo na realidade muitas. Algumas têm terraços abertos, e todas são sem telhas, sendo as coberturas em algumas de tijolo queimado e em outras de lajes de pedra de cantaria.

Entramos em algumas dessas casas com muito temor e em nenhuma pudemos encontrar qualquer vestígio de bens pessoais ou móveis que pudessem por seu uso ou confecção lançar alguma luz sobre a natureza dos habitantes. As casas eram todas escuras no interior; mal havia um raio de luz; e, como eram abobadadas, as vozes dos que falavam ecoavam até que as nossas próprias palavras nos amedrontavam.

Tendo examinado e atravessado a longa rua, chegamos a uma praça regular, e no meio dela, havia uma coluna de pedra negra de extraordinário tamanho, e sobre ela uma estátua do tamanho mediano do homem, com uma das aos no quadril esquerdo e o braço direito apontando com o dedo indicador para o Pólo Norte. Em cada canto da dita praça, havia uma agulha (obeliscos?) imitando as usadas pelos romanos, mas algumas tinham sofrido maus tratos e estavam quebradas, como que se atingidas pelos raios.

Ao lado direito dessa praça havia um soberbo edifício, como se fosse a casa principal de algum Senhor da terra. –Havia um enorme salão na sua entrada e ainda por medo não examinamos todas as casas sendo numerosas e a retret zerão para formar algummara encontramos u ma massa de extraordinário.

Pessoas têm dificuldade de levantá-lo Os morcegos eram tantos que atacavam os rostos das pessoas e faziam tal barulho que nos espantava. No principal pórtico dessa rua, uma figura de meio-relevo cinzelado na mesma pedra, e nua da cintura para cima, coroada de loureiros. Representava uma jovem figura e sem barbas. Atrás do escudo da figura havia alguns caracteres gastos pelo tempo. Contudo, copiamos o seguinte. (V. a estampa, inscrição nº 1).

Do lado esquerdo da dita praça, há outro edifício, todo arruinado, mas pelos vestígios remanescentes, não há dúvida de que foi outrora um templo, pois ainda aparece parte de seu magnífico frontispício e também naves e passagens de sólida pedra.Ocupa grande largura de terreno e em suas paredes arruinadas vêem-se esculturas superiormente trabalhadas, com algumas figuras e quadros cinzelados na pedra, com cruzes e diferentes emblemas, coroas e outras minúcias que demandariam longo tempo para descrever.

Seguindo este edifício, grandes partes da cidade totalmente arruinadas e enterradas em grandes e medonhos desmoronamentos de terras, e sobre esse terreno nem uma folha de erva, árvore ou planta era produzida pela Natureza, mas apenas montes de pedras e algumas obras rudes, pelas quais julgamos versão, porque ainda entre da cadáveres
Que em parte dessa infortunada da, abandonada talvez por causa de algum terremoto.

Em frente da dita praça, corre rapidamente um caudaloso e largo rio, que tinha espaçosas margens e era deleitoso à vista. Pode ter 24 a 26 metros de largura, sem voltas consideráveis, e suas margens eram livres dos troncos e madeira que as inundações usualmente carregam. Sondamos sua profundidade e encontramos as partes mais fundas de 28,5 a 36 metros. Na outra margem dele, há planícies mais florescentes, e com tal variedade de flores, que parecia que a natureza fora mais bela naquelas partes, tornando-as um perfeito jardim de Flora. Admiramos também algumas lagunas cheias de arroz, que aproveitamos, e, do mesmo modo, inumeráveis bandos de patos, que crescem naquelas férteis planícies, e que não tivemos dificuldade em matar, sem tiro, mas os pegando com as mãos.

Caminhamos por três dias ao longo do rio e chegamos a uma catarata que faz um terrível barulho com a força da água e os obstáculos em seu leito, de sorte que pensamos que as bocas do afamadíssimo Nilo não fariam maior rumor. Abaixo, esse rio tanto se espalha que parece ser o grande oceano. É cheio de penínsulas, cobertas de verde relva, com moitas de árvores que fazem davel Ali encontramos na falta dele se nos muita variedade de caça outra muitas qualidades de animais; não havendo caçadores para caçá-los e perseguí-los.

Para leste dessa queda d’água, encontramos vários cortes profundos e terríveis escavações, e tentamos medi-las com muitas cordas que, por mais longas que fossem, não lhe chegaram ao fundo.Encontramos também algumas pedras soltas e, na superfície da terra, algumas pontas de prata, como se tivessem sido tiradas das minas e ali deixadas, no momento.
Entre aquelas cavernas, vimos uma coberta com uma enorme laje de pedra e com as seguintes figuras gravadas na mesma pedra, que aparentemente contem algum grande mistério.(V. inscrição nº 2). Sobre o pórtico do templo, vimos também outras, da seguinte forma (Inscrição nº 3).

A um tiro de peça da aldeia, havia uma construção que podia ser uma casa de campo, com uma frente de 250 passos de comprimento. A entrada era por uma grande pórtico, e subimos uma escadaria de muitas pedras coloridas, que dava para um imenso salão e depois para 15 casas menores, cada uma com uma porta abrindo para dito salão e cada uma tinha sua própria bica de água a que águas e junto mão no pátio externo coluna na cirra esquadrejado por arte e posto com os seguintes caracteres (V. inscrição nº 4).

Depois dessa maravilha, descemos para a margem do rio, na esperança de descobrimos ouro, e sem dificuldade, encontramos uma rica amostra na superfície, prometendo grande riqueza de ouro, assim como de prata. Maravilhamo-nos porque os habitantes daquela cidade teriam abandonado tal lugar, não tendo encontrado, com todo o nosso zelo e diligência, uma pessoa aqueles sertões que pudesse dar qualquer conta de tal deplorável maravilha, quanto a saber a quem teria pertencido a cidade. As ruínas bem mostraram o tamanho e a grandeza que dever ter havido ali no tempo em que ela florescia. Agora, todavia, era habitada por andorinhas, morcegos, ratos e raposas, que engordam com a numerosa criação de galinhas e patos e tornam-se maiores que um cão de caça. Os ratos têm pernas tão curtas que não andam, mas pulam como pulgas; e nem correm, como aqueles dos lugares habitados.Naquele lugar, um companheiro nos deixou, o qual, com alguns outros, depois de 9 dias de boa caminhada, avistou na boca de uma grande baía formada por um rio, uma canoa carregando duas pessoas brancas, com cabelos pretos e vestidos como europeus um tiro como sinal, a fim
de ve fugir ou escapar ter cabeludo e selvagem ga, e todos eles enrolavam e vestiam

Um de nossos companheiros, chamado João Antonio, encontrou nas ruínas de uma casa uma moeda de ouro redonda e maior que nossas moedas de 6$400. Em um lado havia a imagem ou figura de um jovem ajoelhado e do outro lado um arco, uma coroa e uma seta, de qual sorte (de dinheiro) não duvidamos que houvesse muito no dito estabelecimento ou cidade deserta, porque, se tiver sido destruída por algum terremoto, o povo não teve tempo, subitamente, de pôr seus tesouros em lugar seguro. Mas seria preciso muito braço forte e poderoso para examinar aquele montão de ruínas, enterrado há tantos anos, como vimos.

Esta comunicação envio a Vossa Excelência do Sertão da Bahia dos rios Para-ouaçu (Praguaçu) e Una. Resolvemos não comunicar isso a pessoa alguma, pois pensamos que as cidades e aldeias ficariam desertas; mas, revelo a Vossa excelência a notícia das minas que descobrimos, em lembrança do muito que lhe devo.

Supondo que, de nossa companhia, algum tenha se movido por diferente compreensão, rogo a Vossa Excelência deixar de lado essas misérias, e tomar e utilizar essas riquezas, e empregar a indústria, e peitar aquele índio para livrar-se e conduzir Vossa Excelência àqueles tesouros, etc charão nas entradas (bre) lajes de pedra
(Segue-se, no manuscrito, o que se encontra representado na estampa abaixo, nº 5)

Inscrições encontradas na cidade abandonada de que trata o manuscrito, existente na Biblioteca Pública do Rio de Janeiro.


 
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