Mestre Valentim.
Considerado o "deão" dos ufólogos, o astrofísico, PhD. em computação e escritor francês Jacques Vallee, diz na sua extensa obra sobre a ufologia, que a sua maior decepção será a de constatar que os OVNIS são de origem extraterrestre! Na sua pesquisa, Vallee lança a hipótese de uma inteligência inumana por detrás deste fenômeno que acompanha a humanidade desde a primeira civilização terrestre. O astrofísico afirma que a raça humana é impulsionada à evolução por um "sistema de controle" que age intensamente quando uma civilização esgota as suas metas e se mostra capacitada para enfrentar um novo ciclo evolutivo. Vallee possui gráficos que demonstram a sua tese cientificamente, com as estatísticas e resultados de pesquisas muitíssimo detalhadas e de amplitude holística. Ele não chama a esta "inteligência/consciência" de "Deus", ela está situada muito além do Deus que nos acostumamos a adorar! Jacques Vallee foi o conselheiro de S. Spielberg no filme "Contatos Imediatos do 3º grau" e serviu com "modelo padrão" do cientista francês, encarnado pelo ator também francês, François Truffaut neste filme. O "caso de Mestre Valentin", escultor primitivo de Minas Gerais (já falecido), se encaixa, perfeitamente, nos parâmetros de uma classe de eventos comprobativos da hipótese de Jacques Vallee, pesquisados ao redor do mundo.
O Caso de Mestre Valentin
Conheci o Mestre Valentin quando fundei a "Mandala Galeria de Artes", em parceria com um grande amigo, Dr. Gilberto Nogueira. Mestre Valentin beirava os noventa anos, era um velhote vigoroso, alegre e falante, não mostrava a idade que possuía. Rapidamente tornou-se em um amigo e como amigo nos fez confidências. Órfão de pai e mãe, em idade bem tenra, o menino Valentin passou a viver com uma tia. Esta parenta recebeu o garoto como a um estorvo, o menino estava coberto de chagas e envergonhava a tia. Vestida com uma camisola de baeta vermelha, a criança foi condenada a esconder-se em uma matinha onde recebia as suas refeições, perto da casinhola onde passou a viver. Só voltava para casa à noite, na hora de dormir. A tia possuía um filho da idade de Valentin e este menino costumava ir à matinha, despistadamente, para brincar com o primo proscrito pela sua mãe. Houve uma tarde diferente na vida de Valentin. Brincava com o primo, quando uma "bola de luz brilhante" surgiu dentre os arbustos e foi se aproximando das duas crianças. Com um grito de medo, o primo fugiu para casa, Valentin ficou pregado no lugar, incapaz de quaisquer reações. A "bola de luz" estacionou diante do menino e de dentro dela falou uma voz maviosa: -"Volta, imediatamente, para a sua casa. Quando você chegar lá, pegue um facão afiado e um toco de madeira que eu vou ensinar uma coisa para você". E a bola de luz voltou pelo caminho de onde viera. Valentin, recuperando-se, obedeceu ao comando daquela voz tão suave, mas também, tão autoritariamente persuasiva. Não estava com medo de enfrentar a tia, a voz sabia o que comandava e Valentin não se decepcionou, a tia apalermada, ficou sem entender o que acontecera com o sobrinho: o menino estava "limpo", não havia uma só ferida no seu corpinho magro! Valentin, obedientemente, mas já entusiasmado com este sucesso estrondoso, pegou o facão afiou-lhe a lâmina em uma pedra e passou a trabalhar uma tora de madeira, cuja destinação fora a de ser partida para alimentar o fogão de lenha. E da madeira extraiu uma escultura cheia de vida, para admiração de todos. E houve mais: uma amiga da sua tia, nos dias subsequentes, queixava-se de uma dor pertinente em um dos seus joelhos. Valentin largou o trabalho que fazia e sem proferir uma só palavra, encostou a sua mão no joelho dolorido que parou de causar sofrimentos à sua possuidora. Valentin, agora, possuía além do dom da arte o dom da cura.
Passados uns tempos a "bola de luz", que visitara o menino Valentin e continuava a visitar o rapaz Valentin - mestre escultor - revelou-lhe que o seu trabalho iria conhecer uma nova fase: ele trabalharia como se estivesse esculpindo cascos de embarcações no fundo do mar, que haviam soçobrado há muito tempo. Ela, a bola de luz, a quem Valentin já chamava de "anjo" pois, às vezes, ela assim lhe aparecia, como se fosse um anjo, informou-lhe de que ele não nomeasse mais as esculturas, esta função daquele momento em diante lhe pertenceria. E Valentin entrou na sua nova fase, a sua fase mais significativa e de grande valor. Esculturas que se pareciam com cascos de navios onde a vida marinha neles se estabelecera, liquens, conchas, peixes e moluscos presos nas vestes e nos cabelos das peças que receberam nomes sugestivos, ligados às coisas do mar. Certa vez, Valentin mostrou ao Gilberto e a mim, o seu maior tesouro: escondido em uma grande caixa surgiu a imagem do Anjo, seu protetor, que ele esculpira com amor, carinho e gratidão. Fizemos um vernissage dedicado aos primitivos mineiros. Nas mesas e nos tripés, as esculturas de Valentin. Na entrada da Mandala, o "Velho do Mar", de mestre Valentin uma escultura enorme e belíssima, saudava os visitantes. Valentin, feliz da vida, ajudou na palestra que sempre fazíamos nas aberturas dos nossos vernissages explicando o "leit-motif" da exposição em pauta. Não contou o seu "segredo", este, era para poucos, dissertou sobre o seu trabalho. Ele se sentia no fundo do mar e tinha a visão do mundo marinho enquanto esculpia as suas obras. Ele "via" a formação dos "bio-sistemas" tomando conta das ferragens e do madeirame das embarcações que jaziam no fundo do oceano e as suas mãos, ágeis e nervosas não perdiam tempo e materializavam as suas visões, com perfeição, na madeira lívida, lixada pela areia e lavada pelas águas do mar. Nunca soubemos como ele conseguia este efeito, seria por acaso, "toque angélico?" O "Velho do Mar" foi vendido para o hall de um hotel de Varginha e quando nos deixava, o Mestre Valentin apareceu para se despedir dele, o que no espantou. "O Anjo me disse que esta foi a última peça que eu esculpi. Não posso esculpir mais nada. Completei a minha "missão"!
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