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Equilíbrio Pontuado

Gould e seus críticos
Richard Dawkins foi apelidado de “o menino mau do evolucionismo” devido ao seu espírito combativo em defesa do darwinismo, que não foge nunca à explicação das controvérsias encontradas pelos criacionistas (e também dos seus opositores de outras teorias), na Teoria da Evolução de Darwin, controvérsias estas que a sua inteligência brilhante e objetividade atacam no ponto exato. Richard Dawkins foi aluno do New College, Oxford, e é um dos mais importantes pensadores da biologia evolucionista moderna. É formado em zoologia.

No seu livro “O Relojoeiro Cego” Richard Dawkins disserta sobre o Equilíbrio Pontuado (punk eek, para os irreverentes), uma revisão do registro fóssil feita por Stephen Jay Gould, Niles Eldridge e Steve Stanley no ano de 1970. Esta nova teoria - equilíbrio pontuado – é a proposta feita pelos três cientistas para lidar com o embaraço provocado pelo registro fóssil, de um modo geral, que se mostra na atualidade da mesma forma como foi encontrado em 1859, mesmo se tendo em vista as “caçadas” intermitentes que lhe são feitas pelos especialistas. Gould fala:

A história de muitas espécies fósseis inclui dois aspectos particulares; ambos, inconsistentes em relação à teoria do gradualismo:
1. Estasis – A maioria das espécies não exibe uma mutação direcional durante a sua estada na terra. Elas aparecem no registro fóssil se mostrando mais ou menos as mesmas de quando desaparecem; a mutação morfológica é usualmente limitada e não direcionada.
2. Aparência repentina – Em nenhuma área ou local, as espécies surgem gradualmente através da transformação constante dos seus ancestrais: surgem de repente e completamente formadas (grifo do autor). Stephen Gould.

De onde se deduz: “Se a evolução significa a transformação gradual de um organismo em outro, então, a maior característica do registro fóssil encontrado até agora , nega a evidência da evolução. Os darwinistas explicam este fato da “aparência súbita” das novas espécies dizendo quem por determinadas razões, as fases transicionais não foram fossilizadas. Mas a “estasis” (stasis), a ausência consistente de uma mudança fundamental direcional está positivamente documentada. É também uma norma e não uma exceção”. (Darwin on Trial – pág. 50 – Philip Johnson).

“Os paleontólogos americanos Niles Eldridge e Stephen Jay Gould quando propuseram pela primeira vez a sua teoria do equilíbrio pontuado, em 1972, fizeram o que vem hoje sendo apontado como uma teoria muito original. Eles aventaram que o registro fóssil pode não ser tão imperfeito quanto julgamos. Talvez as “lacunas” sejam um reflexo real do que de fato ocorreu em vez de serem as irritantes mas inevitáveis conseqüências de um registro fóssil imperfeito. Talvez, sugeriram os dois paleontólogos, em certo sentido a evolução tenha ocorrido em súbitos rompantes, pontuando longos períodos de “estase” nos quais não ocorre nenhuma mudança em uma dada linhagem”.
Dawkins prossegue na sua argumentação por 17páginas, explicando o que poderá ter sido o pensamento dos três cientistas ao contrário do que os criacionistas deduziram a respeito do equilíbrio pontuado usando mesmo em favor das suas próprias elucubrações (a partir da pág. 336 até a pa´g. 353 – O Relojoeiro Cego).
Voltando aos três cientistas e à sua descoberta e usando do seu próprio critério Dawkins engendra uma conversa fictícia entre Eldridge e Gould, com Darwin – “Eldridge e Gould poderiam ter escolhido como sua mensagem principal a seguinte: Não se preocupe Darwim, mesmo que o registro fóssil fosse perfeito, você não deveria esperar uma progressão tênuemente graduada se escavasse em um só local, pela simples razão de que a maior parte da mudança evolutiva aconteceu em outro lugar”! E poderiam ter prosseguido dizendo:
“Darwin, quando você afirmou que o registro fóssil era imperfeito, estava sendo muito comedido”...

E Dawkins prossegue, sintetizando a sua compreensão do que poderia e deveria ter acontecido, usando de uma conversação hipotética dos dois cientistas com Charles Darwin, onde explicam para o pai da Teoria da Evolução que ... “isto acontece em parte porque a evolução em geral ocorre em lugar diferente daquele onde encontramos a maioria dos fósseis, e em parte porque, mesmo se tivermos a felicidade de escavar em uma das pequenas áreas distantes onde ocorreu a maior parte da mudança evolutiva, essa mudança (embora ainda assim gradual) ocupa tão breve intervalo de tempo que precisaríamos de um registro fóssil extremamente rico para reconstituí-la”!

Entretanto, Dawkins lamenta que os cientistas não agiram da forma que ele imaginou!... Preferiram vender suas idéias como radicalmente opostas (grifo do autor) às de Darwin e a síntese real darwinista. Fizeram isto enfatizando o gradualismo da visão darwinista da evolução em oposição ao “pontuacionismo” súbito, espasmódico e esporádico que eles próprios defendem. Especialmente Gould chegou mesmo a ver analogias entre eles próprios e as velhas escolas de “catastrofismo e saltacionismo”. (O Relojoeiro Cego – pág. 535-354 – Richard Dawkins).

O modelo pontuado de Eldridge e Gould foi muito publicado, mas ironicamente, enquanto a teoria foi desenvolvida especificamente para justificar a ausência de variedades transicionais entre as espécies, seu maior efeito parece ter sido o de haver chamado mais a atenção em amplitude, para as lacunas no registro fóssil. Quando Eldridge aventou a questão com um grupo de escritores científicos há alguns anos, suas conclusões foram largamente reportadas e até mesmo chegaram à primeira página do jornal inglês –The Guardian Weekly – mas foi a ausência de formas transicionais que chamaram a atenção, particularmente, do repórter. De acordo com um artigo intitulado “Missing Believed Non-existant” (Ausência, acreditada como não existente).

Se a vida evolucionou através de uma profusão de criaturas, passo a passo, o Dr. Eldridge demonstra, então se deveria esperar o encontro de fósseis de criaturas transicionais as quais seriam um pouco parecidas ou com as que as antecederam ou as que as descenderam. Ninguém ainda encontrou qualquer evidência das tais criaturas transicionais.. Esta esquisitice foi atribuída às lacunas no registro fóssil que os gradualistas esperavam preencher quando os estratos de rochas de idade peculiar fossem descobertos. Na última década, entretanto, os geólogos encontraram camadas rochosas de todas as divisões dos últimos 500 milhões de anos que não continham forma transicional (Evolution: A Theory in Crisis –pág. 194 –M. Denton).

O biólogo molecular Michael Denton faz a observação de que, pela primeira vez, os biólogos que possuíam pouco conhecimento a respeito da paleontologia, ficaram sabendo da ausência de formas transicionais e que isto aconteceu, exatamente, neste advento da tória do equilíbrio pontuado. Gould nomeou esta revelação de o negócio secreto da paleontologia, e parecia que ninguém mais tomaria conhecimento de qualquer menção à noção confortável de que os fósseis provariam a evidência da mutação evolutiva gradual. Denton pensa que sob qualquer ponto de vista no qual alguém queira posicionar-se em relação à evidência demonstrada pela paleontologia, nenhum destes pontos oferecerá áreas convincentes que provem que o fenômeno da vida siga de conformidade com um modelo contínuo”. As lacunas ainda não foram bem explicadas até hoje. (Evolution: A Theory in Crisis – Michael Denton –pág. 194).

Gould argumenta com a sua teoria, que a rápida taxa de aparecimento de novas formas de vida exige outro mecanismo para explica-las que não a seleção natural, apesar de ser, ele próprio, um evolucionista.
Michael Behe no seu livro – A Caixa Preta de Darwin – esclarece um ponto importante. Na época de Darwin a física apresentava dificuldades em reação à idade da terra. Os físicos avaliavam-na em apenas cem milhões de anos. Darwin tinha um problema então: ele precisava de muito mais tempo para que a seleção natural pudesse gerar a vida. Darwin estava certo. Com a descoberta do Big-Bang geológico “o lapso de tempo necessário para que o surgimento da vida passasse de simples a complexa encurtou para muito menos do que a estimativa da idade da terra no século 19”.
Behe diz que não só os paleontólogos estão desanimados e cita: Mae-Wan Ho e Peter Saunders, biólogos ingleses:

“Passou-se aproximadamente meio século desde a formulação da síntese neo-darwinista. Grande volume de pesquisa foi realizado dentro do paradigma que ela define. Ainda assim, os sucessos da teoria se limitam às minúcias da evolução, tal como a mudança adaptativa da coloração de mariposas, ao mesmo tempo que pouquíssimo tem a dizer sobre as questões que mais nos interessam, como, para começar, de que maneira surgiram as mariposas”.


Um Enigma

Os resultados dos últimos vinte anos sobre a base genética da adaptação levaram-nos a um grande paradoxo darwiniano.
Aqueles genes que são obviamente variáveis em populações naturais não parecem constituir a base de muitas das grandes mudanças adaptativas, enquanto que aqueles (genes) que parecem constituir, de fato, o fundamento de muitas, senão da maioria, das grandes mudanças adaptativas, aparentemente não são variáveis em populações naturais (grifo original). John McDonald, geneticista, Universidade da Geórgia.

O que então, essa teoria geral e abrangente de evolução prevê? Dado um punhado de postulados, tal como mudanças aleatórias e coeficientes de seleção, ela prognosticará freqüências (em genes) ao longo do tempo. É assim que deve ser uma teoria geral da evolução? George Miklos – geneticista evolucionista/Austrália.

Um ensaio foi publicado do “The New Yorker” 13/12/1999 por Robert Wright – The Accidental Creationist – Why Stephen Jay Gould is bad for evolution. (O criacionista Acidental – porque Stephen Jay Gould é nocivo para a evolução).
Este ensaio foi escrito na ocasião em que a Comissão de Educação do estado do Kansas votou contra a inclusão do evolucionismo no curriculum científico daquele estado americano. Nesta ocasião, segundo o ensaísta, poucas pessoas se sentiram tão ultrajadas quanto Stephen Jay Gould. Disse Gould que ensinar biologia sem a evolução “é o mesmo que ensinar inglês, mas deixando que a gramática seja opcional”. Gould taxou, também, aquela decisão de “absurda e ignorante e de que aquela vergonha nacional só poderia surgir tão somente vinda deste país louco”, disse ele, inflamado, diante de uma audiência na Universidade de Kansas, quando a decisão foi tomada.

Na realidade, Gould havia fortalecido consideravelmente o movimento criacionista através de anos, repara Robert Wright, apesar de Wright esclarecer que o fato não foi intencional e que a indignação de Gould havia sido genuína. Afinal de contas, Gould era um cientista credenciado, paleontologista da universidade de Harvard e presidente da Associação para o Avanço da Ciência, apesar de que muitos dos cientistas evolucionistas, necessariamente, considerassem Gould um grande cientista, um número apreciável dos seus colegas julgavam-no também, como sendo um guerreiro valioso na luta contra o criacionismo.

“Gould ocupa uma quase curiosa posição particularmente neste lado do Atlântico, Devido à excelência dos seus ensaios, tem sido avaliado pelos não biólogos como sendo um teorista evolucionista proeminente”, disse John Maynard Smith – biólogo inglês. Maynard conclui: “Em contraste, os biólogos evolucionistas com os quais tenho discutido o seu trabalho, tendem em vê-lo como a um homem cujas idéias são tão confusas que não vale a pena aborrecerem-se com elas, mas que também não se deve criticá-las publicamente porque, em última instância, ele está do nosso lado contra os criacionsitas”.
Em suma, conclusão final de Maynard é a de que “Gould está oferecendo aos não biólogos, um grande e falso quadro da situação da teoria evolucionista”. (ensaio – autor: Robert Wright).

Alguns comentaristas científicos têm a idéia de que Gould, um super dotado que se recusa a aceitar as idéias alheias, por mais estabelecidas que sejam dentro de academia científica, prefere recorrer a idéias originais, suas, passadas através do seu crivo particular quando analisa o pensamento e teorias alheias. No âmago da sua mente, talvez, ele não esteja ainda seguro a respeito da teoria de Darwin, algo nela o incomoda, portanto, ao invés de servir como “repetidor”, ele procura servir com “inovador”, apresentando novas teorias mais de acordo com respostas mais corretas, mais satisfatórias para os problemas que o darwinismo apresenta até hoje.
Gould faleceu há poucos anos.

Bibliografia:

- A Caixa Preta de Darwin – Michael Behe – Jorge Zahar ed.
- Michael Denton, Phillip Jonhson, artigos da Internet.


 
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