O Destino da Natureza - "Fine Tuning"
 Michael Denton
Como As Leis Da Biologia Revelam O Propósito Do Universo
Publicado pela “The Free Press, New York – NY 395 as mais apêndices
Crítica (C) feita por David Rex Finley aos 05/9/1998
No seu livro Natures’s Destiny (O Destino da Natureza – sem tradução para o português): como as leis da Biologia Revelam o Propósito no Universo, o geneticista molecular Michael Denton, autor de Evolution: A Theory in Crisis (Evolução: Uma Teoria em Crise – sem tradução para o português) explora a evidência de que as regras do universo físico foram propositalmente planejadas para abrigarem a vida baseada no carbono, como a que conhecemos na terra, e talvez especificamente para os humanos. O livro de Denton se divide em duas partes: vida e evolução.
Parte 1 – Vida é uma pasmosa e cumulativa exposição de que as leis da física – que ditam a estrutura do universo – incluem numerosas e remarcáveis coincidências requeridas para que a vida se torne possível. Denton, aqui, não está simplesmente sustentando que o universo é compatível com a vida humana, mas que existem muitos fatores a respeito de leis que têm que ser exatas para propiciarem a existência da vida inteligente. Este argumento cumulativo é, na minha estimativa, o grande valor do livro de Denton e assim, Nature’s Destiny é útil, primariamente, como uma ferramenta para levantar dúvidas empíricas sobre o ateísmo. Levando somente em consideração esta base, eu recomendo o livro. A parte 1 também contém numerosas referências a evolução como sendo um fato reconhecido. Quase todas estas referências são destituídas de reflexão substantiva. Elas simplesmente presumem a evolução como sendo verdadeira, justo como os evolucionistas e os mais populares dentre os autores científicos o fazem. Segue uma lista das referências feitas à evolução. (Somente referências à evolução biológica ou a origem naturalística da vida estão incluídas – referências à evolução de estrelas e planetas são omitidas).
pág 12 linha 11, pág 14 linha 15, pág 29 linha 34, pág 38 linha 31, pág 58 linha 10, pág 59 linhas 1-10*, pág 60 linha 32, pág 61 linha 16, pág 87 linha 29, pág 127 linha 2, pág 131 linha 22, pág 159 linhas 30-34, pág 166 linha 14, pág 193 linha 14, pág 205 linha 21, pág 239 linhas 13-18, pág 240 linha 14, pág 254 linhas 7-12 e 28-32, pág 260 linha 17*
Aqui estão dois exemplos típicos do caráter geral destas referências (ênfase acrescentando):
O quadro emergente da física moderna e da astronomia sugere que a formação dos elementos químicos da vida e sistemas planetários capazes de sustenta-la bem como a evolução feita ao longo de milhares de anos, são possíveis somente se toda a estrutura universal e todas as leis da natureza forem quase totalmente precisas, como elas são (pág. 12)
Este é particularmente um processo de adaptações, porque a água líquida é essencial para toda a vida na terra, não tão somente por ser a matriz onde a química da vida ocorre, mas também porque sem encontrarmos a água em estado líquido de forma substancial nenhuma vida aquática seria possível e a evolução de formas de vida complexa seriam certamente impossíveis (pág. 29)
Somente estas duas referências marcadas com asterísticos atentam para alguma reflexão substantiva:
De fato, pequenas quantidades de ultra violeta devem ter encarnado um papel significante na evolução, aumentando levemente, a média padrão de mutação. Sem mutações não pode haver mudanças mutacionais e é possível que o aumento dos níveis de mutações causadas pelo fluxo de ultra violeta possa ter desempenhado um papel crítico na história evolucionária da vida. (pág. 54)
Mas isto é justamente uma repetição da hipótese darwinista. Nenhuma tentativa foi feita para a solução dos problemas empíricos modernos do darwinismo, muitos dos quais o próprio Denton expôs no seu “Evolution: A Theory in Crisis”.
Nosso desenho é restrito devido à nossa origem evolutiva. Sofremos de problemas espinhais porque a coluna espinhal não foi desenhada originalmente para manter uma posição ereta... O nervo laríngeo evoluciona ao redor da aorta e volta à laringe ao invés de se dirigir em rota mais direta (pág. 260).
Este é o argumento de imperfeição o qual Michael Behe enfocou muito bem, nas páginas 222-225 do seu livro A Caixa Preta de Darwin (Darwin’s Black Box). Em súmula, um redesenho inteligente de um organismo existente pode levar a imperfeições de ancestrais comuns mesmo que o mecanismo ancestral tivesse sido a evolução.
Parte 2: Evolução
Pelo menos um escritor pró-evolução, Gert Korthof, aproveitou-se com deleite do aparente vai e vem de Denton com respeito à evolução. Na Parte 2 de Nature’s Destiny esta aparência é rapidamente dissipada, mas Denton tem alguma culpa nesta confusão. Virtualmente, cada referência à evolução na Parte 1pode ser substituída pela referência à sobrevivência das espécies, e o argumento que concerne às leis da física não seria diminuído, usando-se a palavra evolução como ele o faz. Denton parece estar contribuindo para confundir, obscurecer o sentido desta palavra, ao invés de esclarece-la como Philip Johnson procurou fazer.
Quando iniciamos a leitura da Parte 2, imediatamente se torna aparente que Denton está falando a respeito de algo muito diferente do conceito de Darwin sobre a seleção natural agindo através de mudanças aleatórias. Denton propõe que a evolução é verdadeira em um senso, mas que não é dirigida por mudanças aleatórias, ao invés disto, por saltos inteligentemente dirigidos no sentido de mudanças de significantes complexidades.Mais tarde, ele propõe que estes saltos dirigidos não são proporcionados por interferência de atos sobrenaturais nas leis da física, mas ao invés disto, foram elaboradamente planejados dentro das leis da física desde o início. Portanto, Denton encontra um ponto comum básico entre o naturalismo e o desenho inteligente dos organismos superiores – um feito remarcável.
Enquanto eu deva admitir que as coincidências fascinantes na Parte 1 criam um elemento de plausividade para a idéia de Denton a respeito da evolução pré-planejada cautelosamente, tenho que admitir que o estilo Denton para a evolução é somente uma idéia e mais longe, que, virtualmente não possui um suporte empírico. Na Parte 1 o livro de Denton está repleto de exemplos empíricos, mas na Parte 2 este procedimento parece ter falhado. As soluções encontradas para os exemplos de Behe relativos à complexidade irredutível estão fora de cogitação nesta parte do livro de Denton. Faltando estas soluções, Denton procura minimizar a sua importância:
Uma das descobertas mais surpreendentes que surgiu com a seqüência do DNA tem sido a remarcável descoberta de que os genomas de todos os organismos estão agrupados juntos numa região minúscula do espaço da seqüência do DNA formando uma árvore de seqüências relacionadas que podem todas elas ser uma interconversível via, uma incrementada série de pequenos passos naturais. Portanto, as acuradas descontinuidades referidas acima entre órgãos diferentes e adaptações e tipos de organismos diferentes, os quais têm sido os argumentos fundamentais antievolucionistas do século passado, hoje diminuíram significantemente no nível do DNA.
A distância entre o homem e o chimpanzé que nos parece tão significativa e óbvia a um nível morfológico geral, é trivial no espaço sequencial do DNA (págs. 276-277)
Isto nos parece ser uma implicação direta de que as soluções para os enigmas de Behe foram encontradas. Mas então não existe um livro grafando em detalhes as soluções mutacionais que Behe demanda? Penso que o que Denton está verdadeiramente fazendo aqui é usando de similaridades como se fossem cortina de fumaça para ocultar diferenças inexplicadas.
Todos nós escutamos os evolucionistas nos dizerem que os chimpanzés e os humanos são 99% idênticos no nível genético, mas isto não resolve a questão de como as mudanças complexas aconteceram – mesmo que estas mudanças residam numa pequena porcentagem do genoma humano de 3.000.000.000 nucleotídeos. Jonhson discutiu este ponto na página 91 (93 da edição brochura) de “Darwin em Julgamento” (Darwin on Trial):
Este grau de similitude (entre homens e macacos) clama pela importância das comparações moleculares nesta questão, porque isto muito pouco explica as profundas dissimilaridades entre homens e animais de qualquer tipo. Evidentemente o conteúdo de informação do sistema genético humano é significantemente diferente do dos macacos, ainda que o arranjo das “letras” químicas pareçam ser quase que as mesmas. Este ponto é perdido por alguns darwinistas, em Blueprints: solvendo O Mistério da Evolução, Maitland Edey e Donald Johnson casualmente declaram: “Embora os humanos possam parecer inteiramente diferentes dos chimpanzés e gorilas, estas diferenças são superficiais. Onde isto soma – em seus genes –todas as três são noventa e nove por cento idênticas”. Há um mundo de filosofia empacotada nesta frase “onde isto soma”.
Qual razão está em pauta para se preferir o estilo – Denton – de evolução num contexto de intervenção sobrenatural periódica, no qual novas espécies são diretamente desenhadas por modificações inteligentes para existirem? Não vejo razão alguma para preferirmos a pré ´planejada evolução na ausência do suporte empírico. As razões de Denton podem ser reduzidas a isto: “Se Deus fosse ajustar, miraculosamente, as leis da física, o universo iria gerar ambientes corretamente preparados para o de que a vida necessitaria, então, seguramente, ele também ajustaria as leis de forma que elas originassem e evoluíssem a vida automaticamente. Mas esta é apenas uma preferência filosófica para o naturalismo, e bate em mim como sendo de forma bem similar à mesma preferência encontrada numa grande maioria dos evolucionistas – embora seja verdade que estes evolucionistas os quais insistem que a humanidade é um acidente não intencional, sem dúvida, não se sentiriam amigáveis em relação à evolução dentoniana.
Embora seja, sem dúvida, importante para um cientista fazer reivindicações específicas sobre o que a sua tese prognostica, penso que Denton está colocando a sua faixa muito alto:
A hipótese de que o cosmos é única e idealmente preparado para a vida não pode ser defendida pela demonstração de que uma ou duas, ou até várias condições necessárias para a eclosão da vida, pareçam ser idealmente adaptadas ao fim que elas servem. Se a hipótese for verdadeira, então podemos esperar encontrar que todas as condições básicas para a vida e todos os seus componentes, os organismos vivos, são ideal e unicamente adaptados para os sinais biológicos particulares os quais eles servem... Poderemos ver... que este parece ser o caso (pág. 104).
O cosmos não necessita ser única e idealmente apropriado para a vida, para ter sido intencionalmente preparado para a nossa existência – e é detectavelmente assim. Como Behe explicou, a detenção do desenho não demanda perfeição. Talvez, as demandas perfeccionistas de Denton o ajude a explicar ser a idéia da origem e evolução pré- arranjadas da vida – como se o designer tivesse que manusear habilmente a vida mais tarde, este fato deve ter batido em Denton como sendo verdadeiramente uma imperfeição encontrada nas leis físicas originais verdadeiramente, se isto for verdade, que os genomas dos organismos superiores contêm vastas quantidades de “junk” (refugo), então todo o argumento deste livro entrará em colapso. (pág. 290).
Não vejo como. Os argumentos da Parte 1 concernentes às leis da física ainda fariam senso, e mesmo a pré-arranjada evolução poderia ser hipoteticamente possível. Uma lufada de ar fresco, vinda de Behe, está disponível na detecção do desenho:
Durante o processo... pseudogenes podem ocasionalmente surgir e um órgão complexo pode se tornar não funcional. Esta chama não significa que os sistemas bioquímicos iniciais não foram desenhados. As verrugas e rugas celulares que Miller considera provas da evolução (não planejada) podem ser simplesmente evidências de idade (a caixa preta de Darwin – Darwin Black Box – pág. 228)
Porque Denton requer uma teleologia tão estrita? Esta passagem nos dá uma “dica”:
De uma perspectiva teleológica a origem da vida poderá ser vista como alguma coisa quase inevitável e construída dentro das leis da natureza desde o princípio, exatamente como as propriedades da água, o DNA e a proteína e todas as outras coincidências nas propriedades físicas e químicas dos constituintes da vida (pág. 296).
Parece-me que Denton tenta usar uma teleologia descompromissada como cola para unir a idéia da pré-planejada evolução com a forte evidência empírica de um meio pré-planejado. Isto bate em mim como pura filosofia... Não vejo razão para que a evidência de um ambiente pré-planejado tenha que, necessariamente, desembocar em um caminho evolutivo pré-planejado. O último conceito requer seus próprios meios de verificação empírica na forma de soluções substantivas para Behe. Porém, cada vez que Denton tenta retornar à sua evolução pré-planejada falta a ele substância:
Se, verdadeiramente, uma árvore da vida consistente em uma única ramificação modelar de trajetórias permissíveis ou funcionais escritas no espaço do DNA< tão distantes quanto as ilhas de função estão dentro de distâncias mutacionais curtas, a verdadeira natureza das coisas vivas como auto-replicantes bioquímicas automatas, sujeitadas a transformações mutacionais em cada ciclo replicativo e sujeitas também a mudarem as pressões de sobrevivência de acordo com as mudanças graduais do seu meio ambiente, inevitavelmente isto nos levaria às sucessivas descobertas destas ilhas pré-existentes de função biológica e ao traçado gradual dos principais ramos da grande árvore da vida terrestre (pág. 282)
Mas isto é o equivalente a se dizer – “Se a evolução de Darwin é possível, então ela provavelmente aconteceu”. Como sabemos que isto foi possível? Denton descreve uma hipótese não confirmada.
Mesmo que pudéssemos especificar o desenho de um humanóide inteligente radicalmente diferente de um homem, poderíamos perfeitamente encontrar que não podemos derivar pela via de um processo evolucionário plausível (pág. 254).
A evolução direta ou não, somente pode agir através de intermediários funcionais e isto é um limite para se impor pressões adicionais que tornam as formas de vida possíveis, A origem da vida, por exemplo, é difícil de ser prevista, primariamente devido à dificuldade em se imaginar uma seqüência de credibilidade funcional de sistemas replicantes muito mais complexos comandando da química à célula (como foi discutido no capítulo anterior, isto sugere, talvez, que pode existir somente uma única rota). Um químico, por outro lado, desejoso de criar uma célula viva de novo, tem que ser livre para escolher um número de estratégias diferentes para sintetizar os constituintes da célula e depois juntá-los artificialmente num todo vivo (não há razão para que isto não possa ser conseguido teoricamente). Desconfinado pela necessidade de se mover através de uma série funcional contínua de intermediários, um químico pode, ao menos teoricamente, atingir o mesmo fim por intermédio de meios mais simples (pág. 317).
Denton arrazoa que não deve existir um caminho evolutivo para o humanóide radicalmente diferente, mas isto poderia ser verdadeiro também para humanos? As dificuldades envolvidas numa origem da vida naturalística causa a sugestão de Denton de que exista somente um única rota para a primeira célula, mas ele se mostra relutante em ir abaixo do número um. Porque não rotas zero? Se um químico humano pode construir diretamente uma célula, sem formas intermediárias viáveis, então, o designer do universo, certamente, não julgaria ser esta uma tarefa instransponível.
Considero a evolução dentoniana intrigante, porém consensuando as evidências correntes, eu a consideraria muito pouco parecida com um cenário de intervenção direta, na criação de novas espécies. Se as críticas evolucionistas de Behe sempre encontraram complexidade irredutível, elas poderiam providenciar substância empírica para a pré-planejada evolução de Denton. Por outro lado, se as soluções mutacionais não forem encontradas, a plausividade da intervenção direta permanecerá.
Tradução: Vera Filizzola
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