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O efeito estufa e o sol primevo
No ano de 1972, Carl Sagan e George Muller (U. de Cornell) publicaram o artigo intitulado – “Earth and Mars Evolution of Atmopheres and Surface Temperatures” (A Evolução das Temperaturas das Atmosferas e das Superfícies da Terra e de Marte). Este artigo está sendo reconhecido na atualidade como sendo o artigo mais original e influente dentre todos os artigos que Sagan produziu. Este trabalho colocou em destaque um quebra-cabeças científico – O Paradoxo do Sol Primevo Desvitalizado – (Early Faint Sun Paradox). Desde os anos 50 os astrofísicos, de um modo geral, aceitam o fato de que as estrelas irradiam mais calor e brilho quanto vão se tornando velhas, concluiu-se então que o nosso sol devia atuar com 30% menos brilho e calor, no tempo em que formavam as rochas mais velhas do nosso planeta. E isto, deduziu-se, faz enorme diferença! Equalizando-se esta situação em outras áreas, concluiu-se que os nossos oceanos estariam congelados, nesta altura dos acontecimentos. As coisas se complicaram ainda mais, porque os cientistas sabiam que existe uma sólida evidência geológica de que a terra sempre possuiu - águas líquidas! Estas evidências podem ser encontradas na camada de lama aderente e nas marcas onduladas das rochas fendidas e também na “pillow lava” formada quando o mar trabalhava na modificação das rochas derretidas. Sagan já havia feito a observação de que o registro fóssil acusava 3 bilhões de anos e para que não se discutissem mais este assunto sob outras injunções, havia também o fato de que os fósseis primevos registravam a presença de bactérias fotossintéticas que vivem na água. Se Carl Sagan não foi o primeiro a notar uma contradição no quebra-cabeças contido no “early faint sun”, foi ele, por outro lado, o primeiro a perseguir uma solução satisfatória para o problema: o “efeito estufa!” No seu artigo em parceria com Mullen já existia a menção e a identificação de um “efeito estufa” (Greenhouse effect), como sendo a solução mais que perfeita para o Paradoxo do “early faint sun”. Vejamos: “Se a Terra primeva se encontrasse sob um efeito estufa pronunciado e se este efeito, vagarosamente, fosse diminuindo com o tempo, este seria um fato que contrabalançaria o pobre efeito produzido pela pouca e desvitalizada energia emanadas pelo sol de então”. Carl Sagan. Os dois cientistas, Sagan e Mullen, já haviam se adiantado e avaliado os gases presentes num “efeito estufa”. Salientava-se o familiar dióxido de carbono, entretanto, respeitando várias outras injunções que pesaram nas conclusões dos dois parceiros, eles substituíram o dióxido de carbono pela AMÔNIA. Presentemente, a amônia é inexistente na nossa atmosfera. Entretanto, um bom contingente de cientistas naquela época, acreditava que a amônia, em quantidade substancial, perfazia também, a atmosfera original terrestre e não era segredo para ninguém que a amônia é um gás potente no “efeito estufa”. O Paradoxo do “early faint sun” reverberou também, no seio de uma outra comunidade científica. Esta comunidade se aplicava no trabalho titânico de procurar pela “origem da vida”. Fosse qual fosse a FONTE da vida, sob o impacto do paradoxo do “early faint sun”, ainda mais agravado pelo efeito estufa, a Origem da Vida ficaria reduzida apenas à posse de uma “Origem Mágica!” Os cientistas pesando as conseqüências derivadas das coincidências problemáticas que emergiam das pesquisas científicas, como por exemplo: a de que um clima temperado na aurora do nosso planeta, significaria que a história evolutiva da Terra e a conseqüente evolução da inteligência no planeta, ficariam reduzidas ao nível de uma excentricidade, de uma esquisitice! Opinaram os cientistas. Alternativamente, pensava-se também, que o ajuste “mágico” poderia dar nascimento à idéia de que um mecanismo de “feedback” desconhecido, atuara para manter as temperaturas clementes. E foi neste ponto que a ex-primeira esposa de Carl Sagan, a bióloga Lynn Margulis entrou em cena, trazendo aquela que seria a mais profusamente difundida e largamente conhecida dentre todas as hipóteses: a Hipótese Gaia. Toda a comunidade científica divertiu-se com um possível problema surgido então, para o filho mais velho deste casal desfeito, Dorian Sagan – “É o mais notável dentre todos os caminhos de interesses científicos que Dorian Sagan poderia encontrar: o enfrentamento, em cena aberta, da sua “Mãe Terra” com o seu “Pai Espacial”!
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