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04 - EILEEN E A VOZ INTERIOR

O REINO DA LUZ


Seu caminho é simples e verdadeiro
O caminho encontrado no princípio
Quando o Homem e Eu caminhávamos de mãos dadas
Conversando um com o outro.
Este é o relacionamento desejado por Mim
Com todos os meus filhos. O Self – para Eileen.


Os dizeres do Self para Eileen retratam esta dona de casa extraordinária, ao mesmo tempo que indicam o relacionamento familiar e carinhoso que ela manteve sempre com o seu Self – a VOZ INTERIOR – de Eileen e também de cada um de nós; UNIDADE dentro da DIVERSIDADE das nossas personalidades – UNIVERSO.
Eileen sempre foi simples e honesta consigo mesma. Jamais apregoou aos quatro ventos a posse de qualquer tipo de status espiritual que lhe garantisse uma superioridade sobre as pessoas com as quais convivia e mais tarde com os que a procuraram na “Vila Ecológica de Findhorn” no, outrora, “Jardim de Findhorn”.
Caminhando de mãos dadas com o Self durante os diálogos que mantinham um com o outro, Eileen aprendeu que – cada indivíduo tem a obrigação consigo mesmo, de saber mergulhar no mais profundo do seu SER ou SELF para lá encontrar as suas próprias respostas.
Eileen, simples e muito honestamente, revelou também que jamais desejou ou desejaria ser elevada ao grau de autoridade. Jamais se permitiria ser uma autoridade em qualquer área das suas atividades.
“Sinto que é muito importante para cada um de nós procurar dentro de si mesmo o que é mais correto e melhor. Mas a grande maioria prefere regrar a sua própria vida através de autoridade do outro. O Self sabe, perfeitamente e muito melhor do que qualquer pessoa o que convêm, particularmente, a cada um de nós. Esta é a razão pela qual declino de ser julgada como sendo uma autoridade. Quando pensamos ser uma autoridade, nos colocamos acima das outras pessoas. Quando sabemos que não somos uma autoridade, nos situamos no mesmo nível das outras pessoas e conseguimos nos comunicar de forma correta e excelente: de pessoa para pessoa”.
O self em um dos seus pronunciamentos, concordou com este comentário de Eileen e com maior conhecimento de causa revelou que os que são guiados pelos outros são os preguiçosos que usam do argumento falso de não possuírem “tempo” disponível,para sentados em local tranqüilo, acalmarem as suas mentes para que posse se manifestar e convida-los a andar de mãos dadas com Ele enquanto conversam...
Eileen reconhecia apenas uma autoridade, a do Self, a VOZ INTERIOR.


O Deus lá fora e o Deus lá dentro


No seu depoimento pessoal, Eileen Caddy revela que não gostaria de ser mal interpretada em relação à idéia de que teria sido muito fácil para ela e os seus companheiros atingirem o ponto certo de comunicação com o Self sem qualquer tipo de preparação. Fazia questão de afirmar que deviam esta benesse ao aprendizado espiritual.
Eileen faz menção ao assalto insuportável das vozes, que se debatiam para serem ouvidas durante as suas meditações diárias. Pacientemente, ela se conservava quieta sem interferir, só escutando. Então houve o instante no qual Eileen meditava em Glastonbury, um centro de grande poder espiritual situado na Inglaterra. Ela estava dentro de um santuário privado deste local, mantendo um estado de perfeita quietude mental. Foi quando ouviu altear-se uma voz clara e forte, vinda do mais profundo de seu ser. Ela nunca havia vivenciado algo semelhante anteriormente. A voz lhe disse simplesmente: “Aquieta-te e sabe que Eu sou Deus!”
Eileen assustou-se e pensou que estava enlouquecendo, ficou realmente chocada com a clareza daquela voz.
Corria o ano de 1953 e faziam três anos que Eileen meditava diariamente, usando os métodos aprendidos com a famosa espiritualista Shena Govan.
Eileen entrou então numa fase cruel e muito conflitante, passara a escutar novamente as vozes debatendo entre si para serem ouvidas, o que a tencionou insuportavelmente!
E foi dentro deste tumulto que Eileen resolveu não se importar mais. Na quietude onde se refugiou, ouvia as vozes sem interpreta-las, sem tomar a mínima das providências, ouvia e deixava falar. Então... a VOZ INTERIOR manifestou-se novamente e depois desta segunda manifestação, as outras vozes se calaram para sempre!
O Self revelou a Eileen a UNIDADE que existia entre Ele e ela – “... Eu estou em você e você está em Mim”.
Eileen perturbou-se um pouco ao receber este conhecimento.
A gnose explica o fato como sendo: o Conhecimento Direto, sem interferência alguma.
“Eu sabia que Deus estava dentro de cada um de nós e dentro de tudo o mais. Sabia e não podia negar a minha experiência deste conhecimento tão importante. A Igreja nos ensinou sobre um Deus que está FORA de nós mesmos, mas é o mesmo Deus, o Deus Interno. Você pode nomeá-lo por vários e diferentes nomes se o quiser, mas existe somente um Deus! Ninguém imagina que possui dentro de si toda a Sabedoria, o Conhecimento e Compreensão”.


O Corpo de Luz


No ano de 1964 a comunidade recebeu o aviso de que Peter estava encarregado do Jardim para a produção de uma colheita muito especial, por ser altamente vibracional. Esta colheita iria alimentá-los duplamente, do ponto de vista material e do ponto de vista energético. O fito principal desta colheita era o de fornecer material a ser usado em uma dieta preparada para aumentar as vibrações energéticas dos seus corpos físicos na criação de um CORPO DE LUZ.
Eileen, desta vez, ficou realmente “encucada”! O que poderia ser, neste mundo, um CORPO DE LUZ? No seu depoimento ela esclarece que queimou os miolos para conseguir compreender este tal CORPO DE LUZ, mas a VOZ silenciara a respeito deste fato e ela se sentiu então meio desamparada, mas não perdeu a sua fé. Tinha a premonição de que seria ajudada. O Self adiantou-se antes que surgissem outros problemas.
“O que lhe disse a respeito da dieta que desejo que sigam, não tem nada a ver com quaisquer dietas conhecidas e impressas. Esta dieta é uma novidade. Portanto, se alguma dúvida surgir, peça as minhas instruções, pois jamais as encontrará nos livros ou em qualquer um outro lugar. Vocês estão sendo os pioneiros, também, desta dieta. Sigam-na passo a passo”.
A pequena comunidade sentia que a tal dieta era vital, tanto para eles quanto para o “Plano de Cooperação entre o Homem e a Natureza” que já estavam operando. Tudo o de que precisavam para a consecução da dieta, provinha do jardim que estavam plantando e cuidando. Lugar algum poderia dotar os seus produtos com a qualidade dos produtos provenientes do Jardim de Findhorn. Estes produtos estavam sendo produzidos por um tipo de jardinagem e de jardineiros muito diferentes daqueles descritos nos “Manuais de Jardinagem” lidos por Peter.
“Desenvolvemos uma compreensão inteiramente nova a respeito da nossa alimentação e do propósito envolvendo o que nos foi pedido que comêssemos: o propósito principal era o da purificação atômica dos nossos corpos, transformando a substância densa e material em LUZ, o que nos propiciaria maior receptividade para absorvermos a energia solar, do mar, do ar e também adquirirmos uma exigência menor de alimentos sólidos. Não era u processo para ser seguido apressadamente. O refinamento do corpo deve ser realizado gradualmente. Quando o corpo se torna mais delicado e menos denso, a pele também se torna apta para absorver certas substâncias as quais, de início, é incapaz de processar”.
Após este esclarecimento, Eileen aprendeu que cada camada da pele do nosso corpo passa a receber como se fosse um “peeling” gradativo, de substituição da pele velha por uma pele bem mais fina, mais apta para a absorção de elementos mais etéricos. Houve, neste período, o pedido de que bebessem muita água. A água foi descrita como necessária neste processo para promover, não só a limpeza externa, mas, principalmente, a limpeza interna durante o período de refinamento corporal.
Ao invés de pautarem a sua dieta por calorias, hidratos de carbono, etc., o grupo mantinha agora a intenção de nutrir-se com alimentos carregados de energias mais sutis, onde um dos principais elementos para a construção de um CORPO DE LUZ. Seriam os frutos, os vegetais e legumes, o leite, o mel de abelhas e outros alimentos que estavam sendo produzidos. Na sua grande maioria, estes alimentos haviam germinado, crescido e sazonado sob a luz solar e a luz da consciência dos que os haviam plantado e /ou cuidado com vibrações de muito amor e de muito carinho.

David Bhom – o cientista, físico e contemporâneo de Einstein e de grande relevância na área da física quântica, desenvolveu uma teoria: a “Ordem Implicada”, a Ordem Explícita e o Holomovimento”.
David Bhom teoriza: “... então é como se a matéria fosse luz consolidada, congelada.... toda a matéria é condensação de luz em esquemas que avançam e recuam a velocidades médias, inferiores à da luz. O próprio Einstein teve vislimbres desa idéia...” David Bhom.
Eileen quis saber, um dia, porque a necessidade da transformação dos “corpos densos” em “corpos de luz!. A resposta foi arrepiante!
O Self respondeu com uma pergunta: “O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Lembra-se?”
Este, segundo o Self, seria o grande segredo da vida. Eileen, confusa, raciocinou que jamais imaginaria um Deus possuidor de um corpo físico como o nosso. Uma imagem poética lhe ocorreu – o corpo humano seria uma concha, a moradia do espírito sutil que a morte poria de lado.
Alguns anos depois, Eileen cientificou-se de que, talvez, as nossas células pudessem ser feitas de luz, o espírito refletor da imagem divina e concluiu ser esta a importância de tratarmos bem o nosso corpo com muito cuidado, amor e carinho.
Eileen nunca ouvira falar em David Bhom e de sua Teoria da Ordem Implicada. Pensamos que jamais ouviu, apesar de David Bhom estar bem vivo na época em que Eileen mourejava em Findhorn com os seus companheiros.


Os pensamentos e a sua importância

“Através dos pensamentos cuidamos dos nossos corpos. Os pensamentos possuem um grande poder. Coisa que quase ninguém imagina é o grande PODER contido num pensamento forte, enérgico”.
“Lembra sempre: você é, exatamente, o que você pensa que é”. Eileen.
Eileen exorta o leitor do seu depoimento a pensar sempre no “corpo de luz” porque, muito brevemente, os seus pensamentos, dirigidos pelo seu Self, lhe dirão como poderá conquistar esta evolução; cada qual é cada qual e não existe uma panacéia igual para todos nós.
Como o principal papel destinado a Eileen foi o de “cozinheira”, ela foi estimulada a ser criativa e constantemente, os seus pensamentos dirigidos pelo Self lhe diziam e a inspiravam, ao mesmo tempo, a usar o Jardim em sua totalidade – horta e pomar – para criar uma alimentação variada e apetitosa. O Self “espirituosamente”, aconselhou à Eileen não se assemelhar aos fanáticos do vegetarianismo. Dizia ele que os alimentos têm que ser usados com arte e imaginação para se tornarem em pratos apetitosos. “Um punhado de nozes ou passas comidos com gosto, são mais nutritivos do que uma travessa de verduras e legumes empurrados “goela abaixo” ”.
Este tipo de dieta não vale nunca à pena e torna-se nocivo ao invés de ser benéfico. O alimento tem que ser comido SEMPRE com prazer e gosto e ... agradecimento.
Vamos ao grande problema, aquele que gera tanta controvérsia: A CARNE.


Dieta do “steak e whisky”

“A idéia de que é errado comer determinados tipos de alimentos é uma idéia muito difícil de ser desenvolvida”.
E Eileen prossegue lembrando-se dos tempos em que residiam no “Hotel Cluny Hill” onde começaram a diminuir a quantidade de carne na alimentação. Carnes vermelhas, depois as brancas, caça... juntamente com outros hábitos que os três companheiros julgavam indesejáveis, foram sendo cortados passo a passo. Eileen, já na sua maturidade, chegou à conclusão de que: “o que você come só diz respeito a você”.
Ela prossegue, com muito bom senso, dizendo que podemos comer de um tudo, porque não é o alimento que, verdadeiramente, é bom ou nefasto, e sim a sua atitude e o amor com os quais você os preparou e ingeriu.
“Mesmo quando nós entramos no nosso processo de refinamento nos foi explicitado que os nossos pensamentos provocavam muito mais efeitos nefastos do que o que estávamos ingerindo”.
Eileen dá exemplos: esclarece que viajando, quando lhe oferecem algo fora do seu menu para comer, um rosbife ou um Pudim de Yorkshire, ela jamais recusa o prato – “Me perdoe, mas não posso comer esta iguaria”. Ela explica que, envolve silenciosa e discretamente o alimento com muito amor, o abençoa e então o ingere com prazer.
Seu marido Peter Caddy, gostava muito de “traumatizar” os vegetarianos fanáticos com a sua história favorita: a dieta de Eileen, composta por um steak e um copo de whisky, ou seja , “a dieta de steak e whisky”.
A verdadeira história desta estranha dieta é a seguinte: anos atrás, Eileen fora operada e passara um bom tempo no hospital. Saíra de lá muito magra, fraca e... não podia nem ver um prato de salada, que o seu estômago revirava todo, em protesto. Desde o hospital, também não conseguia dormir direito, estava muito depauperada e tudo o que desejava, ardentemente naquela época, era comer um suculento steak!
Findhorn, nesta época, já se tornara numa comunidade verdadeira, composta por pessoas que lá chegavam vindas do mundo inteiro. Uma jovem, membro da comunidade, foi designada para cuidar da combalida Eileen, que pensava na resposta que esta moça lhe daria se lhe pedisse o que não conseguia tirar mais da sua mente: um belo steak!
Havia também, um problema, como boa vegetariana, a jovem odiaria cozinhar um pedaço sequer de carne no seu bangalô. Mas Eileen capitulou e foi adiante, num golpe de coragem ela implorou: “Sabe, Joanie, uma coisa a qual realmente amo... é uma peça de steak”...
“Porque você não me falou isto há mais tempo”?
Joanie respondeu e partiu, rapidamente para o açougue em busca do precioso pitéu e Eileen... comeu carne diariamente e com delícia, por um longo período. Seu organismo lhe ordenara que comesse carne e ela, sem titubear e com gosto, cumpri-lhe a ordem.


O caso do whisky, o complemento do steak

Eileen estava insone. Como gostava de meditar todas as noites por duas ou três horas ou mais, este ritmo foi absorvido pelo seu relógio biológico e, como resultado, na sua fraqueza pós-operatória, ela não conseguia dormir, sua mente ficava alerta.
O seu médico lhe receitou uma prática muito usual e antiga na Escócia, usada pelos candidatos a “zumbis insones”: whisky quente com limão e um pouco de açúcar. “Isto irá curá-la e vai consertar o que está errado”, disse o médico e assim aconteceu.
Mas o prazer de Peter era contar a “dieta do steak e whisky” a predileta de Eileen, segundo afirmava com toda a seriedade, sem fazer a mínima das menções à verdadeira história e causa desta dieta extravagante e inusitada. Eileen, rindo, terminava o relato: “Eu me mexia na minha cadeira, vendo o horror estampado nos rostos dos vegetarianos após escutar Peter dizendo, bem casualmente – “Oh, sim, Eileen está fazendo uma dieta de steak com whisky, sabem?”

Dame Eileen Caddy foi a única dos três pioneiros que viveu em Findhorn até falecer. Nascida no Egito aos 26/8/1917 – Dame Eileen Caddy faleceu aos 13/12/2006 em Findhorn – Escócia.

Bibliografia:

- The Findhorn Garden – Pioneering A New Vision of Man and Nature in Cooperation by The Findhorn Communnity.


 
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