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10 - COMO EM FINDHORN - DEPOIMENTO Nº 1 - PAN.

“Os homens arcaicos conheciam a mágica de escutar o vento e a água, a flor e a árvore, o anjo e o elfo. Todas as culturas arcaicas, Tibetana, Hopi, Sulfi e Celta estão retornando porque elas contêm a verdadeira consciência da qual necessitamos no presente e no futuro”. William Irwin Thompson – filósofo e poeta.


Meados dos anos 90


Acompanhei o nascimento e o crescimento da fama de Findhorn com muita curiosidade e emoção. Achava incrível, em todos os sentidos que esta palavra implica, os fatos acontecendo lá e noticiados através da mídia internacional e das palestras que alguns comunitários de Findhorn realizavam na minha cidade, à medida que iam se integrando na comunidade.
Na década final dos anos 90, estava nos Estados Unidos e fui a uma livraria procurar novidades para comprar. Voltaria ao Brasil no dia seguinte. Quando saía da livraria, na derradeira estante, um livro chamou a minha atenção por ser muito semelhante aos álbuns de fotografias premiadas que, às vezes, encontramos nas livrarias americanas. Peguei o livro/revista cuja capa mostrava uma linda fotografia composta por uma silhueta negra diante de um tipo de girassol iluminado. Qual não foi a minha surpresa quando li o título – The Findhorn Garden – Pionnering a New Vision of Man and Nature in Cooperation – By The Findhorn Community.
E o mais sensacional: os textos haviam sido compostos pelos testemunhos dos três pioneiros, Peter e Eileen Caddy e Dorothy Maclean. Os pioneiros narravam tim-tim por tim-tim, tudo o que lhes acontecera interna e externamente, antes, durante e depois da instalação daquela comunidade. Havia o testemunho de Roc Ogilvie também, um cientista, quem precisou adoecer para tornar-se super-saudável, levando uma vida interior e exterior tão sensacional. Do jeito que qualquer um de nós gostaria de viver. E havia David, quem ampliou Findhorn, levando este projeto de ecologia pioneiro às mais diversas áreas culturais que o todo da cultura engloba.
Ávida, passei a tarde daquele dia e quase toda a noite, agarrada ao livrinho, sorvendo os seus textos com delícia.

O grande deus Pan

Eu havia projetado o jardim da nossa fazenda. Cortei um canteiro retilíneo que acompanhava a rampa em toda a sua extensão e lá plantei hemerocalis amarelos até à metade da descida da rampa e na outra metade, plantei os hemerocalis na coloração grená. Quando florescessem, a visão seria dramática!
Só que, mesmo adubados e bem regados, os hemerocalis teimavam em florir sem sincronia alguma, o que me frustrou e .... enraiveceu muito. Iria trocá-los por outras flores assim que voltasse da viagem.
Quando cheguei ao texto de Roc onde ele relata os seus encontros com o grande deus Pan, o deus que reina nos campos e nas florestas, que movimenta os Devas e os outros seres da Natureza, entusiasmada, coloquei o livro no colo, fechei os olhos e com uma grande emoção, mentalizei a figura de Pan. Fiz um pedido, pedi pelo meu canteiro de hemerocalis. Poderia o deus Pan ajudar-me com a floração em massa, dos meus hemerocalis?
Não me lembro mais o que falei com a imagem de Pan, na minha mente, porém, lembro-me muito bem da emoção que senti e que me levou às lágrimas, imaginando a passarela amarela e grená toda florida e espargindo aquele aroma leve e doce que os hemerocalis possuem. Como última instância, fiz um convite a Pan, já que seria a sua “hostess” na tarefa que estava tratando com ele: “Pan, você conhece aquela árvore grande, que vive naquela curva da estrada que leva à minha casa”? E mentalizei o centenário “Pau d’Óleo” que adoro desde que o vi lá, há vários anos pela primeira vez, e o qual chamei “meu guardião, muito secretamente. Naquela época, um segredo entre a árvore e eu, tão somente!
“Pan, você pode morar sob a copa do “meu guardião”, ele vai adorar e se sentir feliz em servir de abrigo para você.”
E. de repente, abri os olhos e me senti uma verdadeira idiota! Fiquei envergonhada, como se tivesse cometido um nonsense. Mas, lá dentro, dentrinho de mim mesma, sabia que havia acendido uma chama, uma chamazinha cujo calor e luz suave me aqueciam e iluminavam por dentro...

Quando voltei ao Brasil, fui direto do aeroporto para a fazenda. Cheguei lá de manhãzinha e dei de cara com o meu filho caçula, o “rapa do tacho”, de treze anos. O rapazinho me abraçou e:
“Que alívio, mãe! Se a senhora não tivesse chegado hoje eu já estaria de saída para a cidade”!
“Porque”?
“Ah, mãe! Tive um pesadelo horrível. Eu sonhei que estava vindo para a casa a pé e quando fiz aquela curva onde está plantado aquele Pau d’Óleo, de trás dele saiu aquele deus da Grécia, aquele que é meio cabrito e meio homem, eu esqueci o nome dele”...
“Pan”?
“É isso mesmo, mãe, Pan”!
E o meu menino narrou toda a saga que está descrita no texto “Roc e a Mitologia”, no aspecto do temor que Pan pelejou por transmitir a Roc. Meu filho me disse: “Mãe, ele galopava atrás de mim, me perseguindo com uma cara de demônio... custei a atravessar o portão de ferro e acordei suando e com o coração disparado”!
Meu filho pensou que eu havia enlouquecido quando, gritando, eu o cobri de beijos e agradecimentos!!!
Vocês não imaginam e nem poderiam imaginar a beleza da minha “passarela de hemerocalis” exalando o seu perfume adocicado e sutil, naquela e em todas as outras primaveras!

Vera Filizzola





 
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• 02/08/07 - 08 - DAVID – O CONTINUADOR DA OBRA
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