07 - SIR GEORGE TREVELYAN
Sir George Trevelyan era sobrinho de um notável historiador G.M.Trevelyan. Convencido de que o trabalho desenvolvido em Findhorn merecia ser divulgado e ajudado, devido à sua grande importância para a humanidade, Sir George foi visitar os Caddy e Dorothy na páscoa de 1968. Sir George já obtivera o respeito dos seus conterrâneos e era uma celebridade na sua pátria, a Inglaterra, devido ao seu trabalho pioneiro – Movimento de Educação do Adulto. Sir George possuía um colégio em Attingham Park que tornara-se também, num centro de palestras do Movimento “New Age”. Peter Caddy observava este movimento de longe e quando compareceu às palestras realizadas pelo movimento no colégio de Sir George Trevelyan em 1965, os dois pioneiros se encontraram pela primeira vez e uma grande amizade nasceu neste encontro. Trevelyan foi convidado a visitar o Jardim de Findhorn o qual, nesta época ainda contava com poucos hóspedes interessados no que acontecia por lá. Peter Caddy fez sucesso durante a palestra no colégio de Sir Trevelyan, quando revelou que em Findhorn vivia-se de acordo com as regras e princípios enunciados e discutidos nas palestras oferecidas pelo colégio. Peter relatou que neste ano de 1965 eles ainda viviam sob os auspícios do “Unemployed Benefit”, o movimento social de ajuda aos desempregados. Perguntado como orientava as finanças de Findhorn, Peter respondeu sem hesitar que viviam felizes e eram pessoas afortunadas por receberem aquela ajuda, acrescentando que:- “Bem, vivemos com as nossas finanças de forma bem simples, cada um de nós coloca a vontade de Deus em primeiro lugar e desiste de tudo o mais, então, todas as nossas necessidades são supridas pela abundância com a qual Deus nos presenteia”. E foi criticado muito duramente por várias das pessoas presentes. As críticas, às vezes irônicas, versavam sobre o Projeto de Cooperação entre o Homem e a Natureza. O Projeto, segundo este grupo, carecia de realidade e era, apenas, um mero “Conto de Fadas” mal contado! Três anos depois, Sir George foi, pessoalmente, conhecer o Jardim de Findhorn e tornou-se num entusiasta a respeito dos “milagres” produzidos pelo “Conto de Fadas”. Sir George escreveu à Lady Eve Balfour, fundadora da “Soil Association”, dedicada ao trato orgânico das fazendas da jardinagem. Autora de um livro famoso – O Solo Vivo – (The Living Soil), Lady Balfour era a pessoa mais categorizada para se entusiasmar e a se interessar sobre os trabalhos levados a efeito em Findhorn. No seu livro, a autora defendia a idéia da “Unidade de Toda a Vida” e a “Responsabilidade do Homem” com todas as criaturas com as quais ele reparte o seu lugar no planeta Terra e os animais, as plantas e os insetos, são alguns dos parceiros do homem neste planeta. No memorandum que Sir George Travelyan enviou para Lady Balfour sobre Findhorn, ele revelou a sua surpresa e o seu entusiasmo em relação a Findhorn e aos resultados espetaculares ali obtidos no seu Jardim. Com simplicidade dissertou sobre o seu prazer e encantamento em poder sentar-se hum gramado impecável, rodeado por soberbos narcisos, como jamais tinha visto anteriormente, crescendo entre outras flores distribuídas em maciços coloridos. Trevelyan relata também, que foi alimentado por vegetais saborosíssimos, os melhores dos quais se lembrava haver ingerido até aquela data. Os frutos, de várias qualidades, frutificando com vigor desconhecido. No seu entusiasmo, Sir George Trevelyan declarou: “Este é um dos mais vigorosos e produtivos Jardins que visitei, com uma qualidade, um sabor e cores únicos e imbatíveis”. Sir George prossegue nos seus elogios e confessa que nunca pretendeu ser um jardineiro, apesar de ser um dos membros da “Soil Association” e muito interessado nas metodologias orgânicas. Entretanto, mesmo tendo vistoriado o ‘composto” produzido em Findhorn o qual a comunidade misturava naquele solo árido, pontificou que nem mesmo com o uso desta honorável providência, alguém teria o poder de criar um jardim como o de Findhorn! Curiosamente, Sir George bateu na tecla certa: “Tem que existir um “fator X” a ser considerado. O que será”? Entretanto, Sir George, mesmo tomando conhecimento de todo o projeto do Jardim de Findhorn e se deslumbrando a cada passo dado, não queria aceitar de jeito algum o “bordão” de Peter Caddy: composto e trabalho árduo! Este é o segredo.” Trevelyan narra que pressionou Peter Caddy para lhe contar o verdadeiro SEGREDO gerador de Findhorn: “Então temos que dar um salto, topar a parada e o que vai surgir será carregado de muito charme para uns e considerado inaceitável para outros”. Escreveu Sir George Trevelyan. Ele redigiu este depoimento após escutar o segredo, o tal Fator X impulsionador do Jardim de Findhorn, ou seja, a cooperação com os Devas e os espíritos da natureza! Peter Caddy comenta – e ele aceitou esta explicação – completando, Caddy esclareceu que Sir George insistiu para que ele escrevesse, desassombradamente, sobre este Fator X tão importante. A primeira edição do “The Findhorn Garden” – 4 livros cuja impressão foi realizada naquele local, o PRÓLOGO consistiu, exatamente, na transcrição do memorandum escrito por Sir George Trevelyan para Lady Eve Balfour. As primeiras frases... “no meu conhecimento, as implicações são inúmeras. A descrição feita pelos próprios Devas, dentro do seu ponto de vista, é a de que o mundo já está em situação crítica. O mundo dos espíritos da natureza está enojado, repugnado, com o modo pelo qual o homem lida com as forças da vida. Os Devas e os elementais trabalham sob as leis de Deus para o crescimento das plantas. Mas o homem vem violando estas leis. É lógica a chegada de um período onde eles voltarão as suas costas ao homem, um ser que eles, algumas vezes, consideram representar um parasita da Terra. Esta avaliação acabaria por terminar em efeitos devastadores, com aretirada total das forças vitais impregnadas nas plantas”. No término deste memorandum, Sir George lamentou o descrédito que os seres humanos dedicam aos Devas e espíritos da natureza, ou sejam, às FORÇAS VITAIS da natureza. “Há séculos o homem nega as suas existências e os ignoram. Agora, um grupo de indivíduos, conscientemente os convidam à cooperação na criação do seu Jardim”. Eles, os Devas e espíritos da natureza, provam, literalmente, “que até o deserto pode florescer, como uma rosa”.... Sir George comparou o solo de Findhorn com o deserto de Sahara e afirmou que se Findhorn floresceu, o deserto também floresceria sob a cooperação estreita do “Fator X” com os seres humanos, a exemplo de Findhorn. Ressaltou também, a possibilidade como conseqüência, da erradicação da FOME NO PLANETA Terra – se uma quantidade suficiente de seres humanos iniciasse esta cooperação, conscientemente, os alimentos poderiam crescer em quantidade suficiente nas áreas mais estéreis. Sir George exaltou o exemplo dos pioneiros de Findhorn, a sua admiração pelo que eles estavam exemplificando para o mundo inteiro – “se os Caddy conseguiram muitos podem conseguir também”. E Trevelyan lembrou os seus leitores de que os Devas sempre estarão presentes e dispostos a cooperar conosco, e deu uma sugestão valiosa, exortou os jardineiros do mundo inteiro a manterem contato com os pioneiros de Findhorn, um local onde a “quebra de preconceitos” foi consciente e proveitosa. A explicação de que muitas vezes, ou na maior parte das vezes, a nossa intuição seja usada como ponto de contato dos Devas, também foi comentada por Sir George. Outro ponto nevrálgico foi tocado com coragem e decisão: o “Conto de Fadas”, ou seja, o contato com os Devas, a realidade desses contatos e as pesquisas que teriam que ser empreendidas, mais dia, menos dia a este respeito. “A possibilidade de cooperação com os Devas, tem que ser investigada seriamente”. Sir George Trevelyan. Ele compreendia também, que esta seria um das mais árduas tarefas, o convencimento, da grande maioria dos habitantes deste planeta, de uma realidade oculta aos olhos dos seres humanos ao ser relegada ao Reino da Fantasia. Sir George citava os três pioneiros de Findhorn como exemplos: o fenômeno composto por um grupo de amadores, que sem nada entenderem de jardinagem, foram capazes de produzir o milagre de Findhorn, seguindo apenas, as instruções de um outro reino da Natureza, oculto ainda. Mas o aristocrata inglês rejubilou-se com a quantidade de respostas obtidas pelo seu memorandum. Muitas destas cartas chegaram também a Findhorn e, espantosamente, contavam experiências que estavam se tornando muito semelhantes às experiências vividas ali em Findhorn. Outros requeriam respostas acerca da área espiritualística envolvendo Findhorn e outros, pediam um maior conhecimento das técnicas de jardinagem empregadas no Jardim de Findhorn. A visita de Sir George Trevelyan foi comemorada em Findhorn com o plantio de 600 árvores.
Lady Balfour lê o memorandum de Sir George.
Lady Eve julgou fascinante, o memorandum de Sir George endereçado a ela e pediu à sua irmã Lady Mary que dele tomasse conhecimento também. Lady Mary, “jardineira amadora”, apressou-se em visitar Findhorn, que se desenvolvia progressiva e rapidamente para tornar-se no que se tornou posteriormente. Lady Mary praticava a jardinagem orgânica e possuía um grande conhecimento nesta área, apesar da sua humildade em se dizer “amadora”. Passeando com Peter por entre as aleas do jardim, Lady Mary tentava racionalizar o que via, sem mencionar o já famoso “Fator X”, mais tarde ela deu a mão à palmatória e escreveu um depoimento onde declara que, realmente, alguma coisa estranha e muito importante acontecia em Findhorn. Uma coisa estranha e maravilhosa, ela desejaria que esta experiência fosse e se tornasse pública. Fazia um apelo no sentido de que a humanidade compreendesse aquela experiência com rapidez, uma vez que haviam “desertos crescendo neste mundo ao mesmo tempo em que a vida morria em outros e inúmeros locais”! “Se eu recebesse a incumbência de definir Findhorn com uma palavra, eu diria “VIDA. VIDA ABUNDANTE”. Lady Mary.
Recomendado por Lady Balfour, o Professor R. Lindsay Robb, consultor da “Soil Association” visitou Findhorn em 1969. Formado em agricultura, conservação e nutrição, o professor Robb era muito solicitado como consultor em todo o mundo, inclusive nas missões das Nações Unidas na Costa Rica. Roc e Peter levaram o professor para uma caminhada no jardim. Subitamente, o professor Lindsay abaixou-se e com as mãos em concha recolheu um punhado de terra. De terra? Não, de um solo poeirento, arenoso, misturado com pedaços do composto fabricado pelos três comunitários. O professor Lindsay estava assombrado! Balbuciou então que nada “deveria” crescer ali, mas o que ele testemunhava era a mais pura exuberância vegetal”! “O vigor, saúde e florescimento das plantas neste Jardim na estação do meio inverno, num terreno árido e arenoso, não tem explicação, mesmo com o uso deste composto, nem por técnicas orgânicas algumas conhecidas. Existem, evidentemente, outros fatores e eles devem ser vitais”. Foi a avaliação de um grande técnico! Quando se foi, o professor Lindsay Robb enviou um amigo e colega, Donald Wilson, fundador e secretário da “Soil Association”, gerente do centro de alimentos orgânicos de Londres e um “expert” em “compostos”. De queixo caído, Donald Wilson capitulou diante do vigor, tamanho e qualidade dos produtos do Jardim de Findhorn. Peter Caddy e Donald Wilson tornaram-se associados e Wilson ensinou a Peter várias técnicas agrícolas. Em contrapartida, através de Dorothy, os Devas responderam e forneceram todas as respostas corretas para problemas que Donald Wilson ruminava há anos.
Outra visita importante foi a visita do “Homem das Árvores” – Richard St. Barbe Baker,m fundador da “Sociedade dos Homens das Árvores”. Este título e o apelido são devidos aos reflorestamentos comandados por Baker ao redor do mundo, visando à recuperação de matas e da terra. St. Barbe apaixonara-se por Findhorn e via neste projeto um projeto com muitas afinidades com o seu. Ele havia iniciado uma comissão de silvicultura na Inglaterra, enquanto seguia um curso de mestrado em silvicultura em Cambridge. Esta escriba, pessoalmente, admirou o trabalho realizado por Richard St. Barbe Baker nas pequenas cidades, completamente arborizadas, ao longo do deserto de Saara, no Egito. Este projeto foi rascunhado por Baker juntamente com o presidente Franklin Delano Roosvelt e a “Civilian Conservation Corps”. Outro local que recebeu o toque de mestre de St. Barbe Baker foi o do plantio de árvores na Terra Santa. Baker planejou para Peter Caddy, todo o plantio de árvores no embelezamento da paisagem de Findhorn. “As mensagens enviadas pelos Devas das Árvores, através de Dorothy, revelam uma explanação oculta que a pesquisa científica não está habilitada para nos oferecer. Os antigos acreditavam que a Terra é um Ser Senciente que sente o comportamento da humanidade sobre ela própria. Confesso que aceito este modo de pensar e ajo de acordo com esta crença, que, conseqüentemente, desvenda para nós um novo mundo de compreensão”. “Quão sombria a vida seria se não aceitássemos o que ainda não podemos explicar”.... St. Barbe Baker. Finalizando, o autor da “hipótese de Gaia” – J. Lovelock e a bióloga Lynn Margullis estão plenamente de acordo com as palavras de St. Barbe Baker em relação à terra.
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