10 - COMO EM FINDHORN - DEPOIMENTO Nº 3 - O GUARDIÃO
No meu primeiro depoimento – PAN – fiz menção a uma árvore, um Pau d’Arco centenário pelo qual me enamorei e apelidei muito secretamente, “Meu Guardião”. Durante muitos anos ninguém soube o título com o qual batizei este Pau d”Arco, em certos casos a gente tem que ser discreta... O Meu Guardião escutou os meus queixumes, abraçada a ele e enxugou com a sua casca rugosa as lágrimas do meu rosto encostado no seu tronco vigoroso, quando perdi o meu menino de recém-feitos vinte anos, praticamente da noite para o dia, levado por um câncer de velocidade vertiginosa! O Meu Guardião recebeu também as minhas explosões de alegria e de agradecimento em ocasiões jubilosas, todas as minhas amarguras e grandes alegrias. Aprendi a manter diálogos mentais e orais com ele a receber, em “insights”, as suas respostas... vindas lá do fundo do meu coração. Segundo a filosofia do Jñana Yoga, o coração é a sede material do Atman – o nosso Eu Superior, a nossa verdadeira identidade e, acrescento eu, o ponto onde entramos em unidade com o Uno, a energia radiante e penetrante, origem da vida universal. O Eu Superior, Atman, Espírito... é o nosso portal de comunicação e de integração com o TODO. Durante uns dezenove anos, mais ou menos, Meu Guardião e eu nos comunicamos assim, através deste portal e nunca mencionei estas comunicações com ninguém, mas, volta e meia, aconteciam coisas interessantes. Por exemplo: um pintor residente na cidade de Sete lagoas presenteou-nos com o quadro que ilustra este texto: senhores, eu lhes apresento “o Meu Guardião”!

O pintor ao escolher o Pau d’Arco para colocá-lo em evidência no seu quadro, ignorou os dois jequitibás que estão montando guarda, lado a lado do “Guardião” e as outras árvores que ladeiam a estradinha no rumo da minha casa, a mesma estradinha onde Pan galopou no pesadelo do meu caçula, conforme narrei no texto- Pan.
O Guardião se revela
No final dos anos 90, hospedou-se na minha casa o famoso ufólogo americano Bob Pratt, sua grande amiga e colaboradora Cynthia, também americana e residente no Brasil e o Tom, cinegrafista americano quem acompanhava Bob Pratt documentando as suas pesquisas feitas na minha região, considerada como perfazendo o grande “Quadrilátero Quente” da ufologia em MG, juntamente com Pedro Peopoldo, Baldim, São Vicente, Vargem Grande, nas faldas da Serra do Cipó. Estava fazendo a minha caminhada diária quando algo, no tronco poderoso do Meu Guardião, chamou-me a atenção: Cheguei bem perto da árvore para pesquisar o desenho inusitado. Assim como as letras formam as palavras que traduzem as nossas idéias, as manchas acinzentadas espalhadas no tronco do Pau d’Arco haviam se juntado na frente da árvore formando, nitidamente, um desenho semelhante àquelas “portas” das casinhas que desenhamos na infância. A figura no tronco subia desde o solo até o local de distribuição dos galhos e descia, novamente, encostando-se no solo.

Intrigada, perguntei à Cynthia e ao Tom o que aquela imagem podia significar. Os dois americanos se dedicavam também, ao estudo de pinturas rupestres e algo me dizia que o tal desenho na árvore continha uma mensagem dirigida para mim. Cynthia e Tom caminharam comigo até bem perto da árvore e a moça estacou diante dela me dizendo, com o jeito de quem ficou aborrecida comigo, por eu ter lhe proporcionado aquela canseira em vão, por uma tutameia: “Ah Vera, não me digno nem a responder o que este desenho significa! É tão comum, tão corriqueiro, que vou até pedir ao Tom que lhe diga o que ele significa, eu me nego a faze-lo”! E o Tom, meio assustado, com a precisão do desenho respondeu: “ O Guardião”! Durma-se com um escândalo desses!
Vera Filizzola
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