Melquisedech (Mestres do Tempo).
"E Melquisedech, rei de Salem, trouxe pão e vinho. Ele era sacerdote do Altíssimo. E ele o abençoou e disse: "Bendito seja Abraão, em nome do Altíssimo, senhor dos Céus e da terra. E abençoado seja oDeus Altíssimo que arrebatou o escudo dos teus inimigos e os entregou às tuas mãos. E Abraão lhes deu o décimo de tudo" (Gênesis, XIV, 18-20).
Possivelmente esta cena ocorreu por volta do ano 2200 a.C. logo após a criação do mundo, segundo os hebreus. O problema desta datação é que não se pode afirmar se é precisa. Séculos de discussões entre os especialistas do ramo foram baldados, não se conseguiu precisar a data correta dos fatos relacionados com Melquisedech, a partir da "Criação do Mundo" hebraica. Uma coincidência enigmática: Melquisedech sempre foi ligado à cidade de Salem, uma cidade desconhecida na Palestina, uma cidade fantasma, a menos que Salem se relacione com Jerusalém. Melquisedech não foi um profeta e nem mesmo um patriarca, até hoje ele continua sendo o que sempre foi: um enigma desde a sua aparição feita a Abraão. Melquisedech continua surgindo, de tempos em tempo, enigmaticamente, como se fosse um MORTAL ou um homem que venceu o TEMPO. Arthur Machen, um grande escritor e também um grande repórter, noticiou uma aparição espetacular, de Melquisedech no ano de 1917, no Pais de Gales e em Llandrisant, um povoado de pescadores. O vilarejo estava sendo visitado, de antemão, por desconhecidos que se apresentavam como sendo ligados ao Ffeiriadwyr Malcisidec - Sacerdócio de Melquisedech. Na igreja protestante local, os desconhecidos celebraram a Missa do Santo Graal. Os assistentes repetiam, como papagaios, palavras do grego antigo. Houve "milagres", que foram atestados por testemunhas e por se ouvir dizer. Uma rosácea gigantesca, em chamas, abraçou a igreja e iluminou a região. O Alto Comando inglês teve a sua atenção despertada pela inusitada iluminação e pensou a possibilidade de ser um sinal luminoso, de alerta, para os submarinos alemães. Nesta ocasião, foram somados aos outros, os testemunhos dos militares, marinheiros e habitantes dos povoados vizinhos. O fenômeno marcou no relógio a meia noite e vinte. Os "milagres de cura" somaram-se aos montes, num raio de 50 km. Olwan Phillps, de Croeswen, tuberculose terminal, achou-se completamente curada! Seu médico, na manhã seguinte, apareceu no vilarejo certo de que iria assinar o seu atestado de óbito e não queria aceitar, depois, de forma alguma, a presença da VIDA. Escreveu, indignado, numa revista: - Era impossível, seu corpo estava completamente moído pela tuberculose. A jovem Olwen relatou o fato de que recebera a visita de três homens portando qualquer coisa, que, pela sua descrição, correspondia ao Santo Graal. E ela jamais escutara algo a este respeito. Enquanto os três visitantes celebravam a missa nos arredores, uma mulher surda começou a ouvir os sinos da igreja badalando e curou-se. O repórter Arthur Machen observa que todos os que se curaram declaravam ter visionado coisas comparáveis Pás que são vistas sob o efeito da mescalina ou o Anhelonium Lewinir. O fatoé que, em 1917, Aldous Huwley ainda não escrevera "As Portas da Percepção" (40 anos depois ele o fez) e no pequeno povoado ninguém conhecia a mescalina e o LSD ainda não fora descoberto. Os militares e os marinheiros que não eram usuários de drogas (no caso de pensar-se em testemunhos falsos), também visionaram a tal rosácea em chamas e ouviram o sino - não o da igreja - mas o som de um grande sino, segundo os seus testemunhos, era igual ao coro perpétuo dos anjos. O Pastor, um protestante racionalista,, para o espanto das suas ovelhas, declarou: - Estes são os sacerdotes de Melquisedech, os três pescadores de almas sagradas estão entre nós. Glória! Glória!
Durante a prece, os fiéis presenciaram um espetáculo de grandeza absoluta: os três enviados se iluminaram a tal ponto que ninguém conseguia manter o olhar fixado neles. Os três seguraram o Santo Graal, ou algo de grande semelhança com as descrições já feitas a respeito. O povo escutou, várias vezes, a palavra Melquisedech e outras em grego antigo. O escritor e repórter Arthur Machen conclui que existem de fato, o que se chama de "alucinações coletivas" mas que também existem fenômenos além e acima da nossa ciência: "Os personagens que o Sr Kipling chama de Senhores da Vida e da Morte tomam o cuidado de impedir que vejamos o que não temos o direito de ver" - Arthur Machen. A revista "Flying Saucers", em 1972, retomou esta história recordando uma outra análoga a esta, ocorrida em 1905. A revista conclui - "Eram discos voadores... como em Fátima!" Jacques Bergier, o pluri cientista e escritor, acrescenta a sua análise em relação à conclusão da "Flying Saucer Review", citando Geoffrey Ashe, ao arqueólogo inglês que descobriu a Távola Redonda do Rei Arthur e outras relíquias de Avalon - O racionalismo moderno pode ser definido como a "filosofia do - ora, é apenas isto"... - (Le doigt et la Lune). Outras aparições de Melquisedech, em várias épocas históricas: Idade Média, Irã, Oriente Próximo. A morada de Melquisedech, segundo dizem, é no algures, com os profetas Elias e Enoch, eles estão "fora do tempo" (textos judaicos). As diversas alusões a Melquisedech - Mestre dos Mstres da Justiça - (Manuscritos Qumran) não são aplicáveis e úteis para nós, elas se encontram em relação diferente ao que chamamos de história linear, Os Manuscritos Qumran seguem, por exemplo, uma cronologia cíclica. Ciclos se repetem e ao mesmo tempo, são ciclos diferentes dos que os precederam. Nestes Manuscritos o último ciclo é o da VINGANÇA, término de uma guerra de 40 anos entre os Filhos da Luz e os Filhos das Trevas. Por três vezes, Os Filhos da Luz quase vencerão e por três vezes os Filhos das Trevas quase vencerão. Numa sétima vez os Filhos da Luz, finalmente vencerão "no espaço constelado de estrelas ao redor da Terra". Nesta hora o beneplácito divino: uma NOVA ALIANÇA e os ciclos se findam. O famoso Abade Tritêmio apresenta Melqueisedech como um "eldil" - uma criatura inferior a Deus e superior aos anjos. No século 17, Nautuilius, no século 20, C.S. Lewis (citando Nautuilius) esclarece: um "eldil" não pode estar situado nem no espaço nem no tempo. Nos séculos 7 e 18 da era cristã, rabinos e pesquisadores da CABALA relatam aparições de Melquisedech: ele surge e retorna, ao seu bel-prazer, para o lugar de onde veio.
Apesar das centenas de escavações feitas em Israel, até hoje, não se descobriu Salem nem fatos palpáveis provando a existência de Mequisedech. O prof. Helmer Ringgren - Universidade de UPSALA - pensa que Melquisedech foi inventado no tempo de Davi, século X a.C. e que este personagem reflete a situação política vigente nesta época. O prof. Ringgren explica Melquisedech como sendo um provável sacerdote de EL ELYON, divindade local e, segundo o Gênesis Bíblico "o dono do céu e da terra".- Ao que parece, o Enlil sumério uma vez que os dois títulos foram dados a ele também (Jornal Infinito). Anatole France observa: - "Se não se trata de um Criador das Estrelas, trata-se ao menos de um importante procôsul local do império galáctico". Melquisedech não era um "Sacerdote do Altíssimo" de El Shadai, o deus da força e da energia, curiosamente, dois outros títulos pertencentes ao Enlil sumério. Jornal Infinito. De um texto alexandrino: "Em nome de Mequisedech e de Shadai, o que está no alto é como o que está embaixo". Shadai aparece no final da Idade do Bronze - Prof. Ringgren. E o professor vai mais além, ele afirma que Melquisedech foi o homem que inventou Deus: "JHWH estava presente, mas invisível, e era o Senhor, e Israel não dispunha de poder sobre ele!. Mais uma das semelhanças com as tabulas e barras sumérias, onde os especialistas moderrnos supõem (outros têm certeza) de que Yahweh se esconde no "Senhor Supremo da Terra": Enlil, Elohim/Nefilim (os que dos céus vieram), um deus irascível, mais tarde abominado pelos gnósticos que o chamavam - demiurgo - e julgavam, devido a ele, o Antigo Testamento como sendo mau.
O LIVRO DE ENOCH
O problema em se comparar a estória de Melquisedech tendo como base O Livro de Enoch, é em razão de não se estar seguro quanto a autenticidade deste livro. O livro é um pseudoepígrafo (atribuído a alguém). ENOQUE (LIVRO DE), obra pseudoepigráfica, cujas diversas seções foram redigidas em hebreu pelos juízes judeus entre 170 e 64 a.C. e que chegou a nós numa tradução etíope. Vê-se aí a Queda dos Anjos, Enoch transportado à morada da tempestade e da luz, a nova Jerusalém onde os Gentios convertidos adorarão o verdadeiro Deus, a danação dos Maus e a alegria dos Eleitos, etc. Essa obra exerceu uma influência profunda no cristianismo nascente e nos Padres da Igreja. Contam-se mais de 70 textos do livro de Enoch dos quais encontramos os equivalentes nos escritos do NOVO TESTAMENTO, sem considerar os traços numerosos que foram deixados nas obras de Irineu, Clemente de Alexandria, Tetuliano, Orígenes, Lactâncio, São Hilário, São Jerônimo, Santo Agostinho, etc (p.109, 110, 111, 112) - v. Pseudo-epigrafias, Messianismo, Cristianismo. Antologia Judaica-Edmont Fleg. Outros historiadores, e são numerosos, negam a tradução etíope original. Dizem que é inexistente e que a versão que possuímos (inglesa) é falsa, tem data: século 18 d.C., sendo assim, o Livro de Enoch perde o interesse! É uma pena, porque Enoch relata o conhecimento da "contração relativa do Tempo": viaja por um período que lhe parece ser de alguns meses e, quando retorna, vários séculos se passaram. Os especialistas russos realizaram uma tese que tem por base este fato e o relato de Enoch lhes fornece a demonstração de que existia, naquela época, o conhecimento da construção relativa do tempo. Existe outra premissa: a de uma viagem no tempo, do passado para o futuro.
Fontes: Jacques Bergier É com propriedade que Arthur Machen relacionou visões parecidas com as obtidas pelas drogas e alucinógenos. Há registros de "visões místicas" inteiramente NATURAIS, onde o vidente depois descreve: luzes, que são luzes, mas que parecem ser luzes sólidas. Sons de sinos bimbalhando, sons de órgão ou de orquestras, experiências estas relatadas de forma idêntica às dos usuários de drogas e alucinógenos. Jornal Infinito.
* Ilustração: Claudio Salvio.
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