O caso BentWaters -
Dezembro de 1980: Um objeto estranho foi detectado no solo por um grupo da segurança policial, na juntura da Base da Royal Air Force/U.S. Air Force Base na Inglaterra chamada Woodbridge. O mapa mostra a região, a poucas milhas de Bentwaters e suas bases gêmeas. Entre as bases, há uma floresta denominada Rendlesham Forest. Larry Warren, um americano, estava de plantão como guarda da Base Woodbridge, quando deparou com um Ufo pousado na floresta. Dúzias de militares e alguns civis, também observaram o espetáculo sui generis. Poucos momentos depois, o oficial comandante dirigiu-se para junto da nave e "manteve uma entrevista com os três ocupantes da nave". (grifo de Vallee). Não há dúvidas contra este espantoso evento, ele está documentado por investigação intensiva, conduzida por Jenny Randles, Dot Street e Brenda Butler e publicada no seu livro - Sky Crash - (London: Neville Spearman - 1984). Este não foi um caso verdadeiro de Ufo e sim, mais um outro passo no caminho dos "Mensageiros da Decepção"!
A área onde ocorreu este evento, tem como tradição a pesquisa militar avançada. Foi neste local que na Segunda Guerra Mundial, foi lançado o radar. As construções que se vêem por lá foram rebaixadas pela rede de abrigos e áreas de estocamento enterradas debaixo da "East-Anglia" rural.As duas bases pertencem à Inglaterra, mas existe um "leasing" feito com os Estados Unidos sob os termos de um acordo com a Nato. A American 81st Tactical Fighter Wing possui ali quatro esquadrões de vôo de A-10 anti tanques de Bentwaters, e outros dois de Woodbridge. "De acordo com a pesquisadora Jenny Randles e as co autoras do livro já citado, a última base das duas mencionadas, também hospeda a elite da "78th Aerospace Rescue and Recovery Squadron" especializada em intervenções de emergência e que pode ser recrutada, em qualquer lugar do mundo onde descer o time de astronautas americanos, em estado de regime de emergência". J. Vallee.
Na época deste evento, comandavam as bases o "Wing Commander" Gordon Williams quem era o oficial executivo e o "Lieutenaut" coronel Charles Halt, quem oficiava como "Deputy Base Commander". Brenda Butler é pesquisadora de fenômenos estranhos, vive em Suffolk e soube deste evento através de um americano pertencente à Força Aérea. De pronto, percebeu que este era um caso confuso, a começar da sua data exata. Casos desencontrados povoavam os relatos: helicópteros sobrevoando a floresta e se espatifando no solo, o mesmo se contava sobre outras classes de aparelhos aéreos. Uma testemunha indicou à Brenda que a Base fervilhava em atividades desde o dia 27 de Dezembro, caminhões em comboios, adentravam a floresta sob escolta. Então, ele ficara sabendo, através de um superior, que um Ufo caíra na floresta! Vallee confessa que este pormenor o deixou em estado de alerta, pois naquela atualidade, a atitude militar era a de pura negação do fenômeno. Sempre a Força Aérea admitira, com muito custo, a palavra "objeto voador não identificado" e ali estava acontecendo o inverso. A noção de que um Ufo caíra nas imediações, estava sendo plantada nas mentes das testemunhas desde o início do suposto evento.
Um trabalhador florestal possuía, também, a sua versão dos fatos. Ele encontrara árvores partidas e outras queimadas, mas ninguém fizera caso das suas notícias. Um eletricista surgira, de pronto, para consertar as luzes-guias dos postes altos situados no final da pista e supôs que eles haviam sido destruídos por uma aeronave em descida de emergência. O que mais espantou a este homem foi a forte segurança que o escoltou enquanto trabalhava. Os acontecimentos pareciam levar à idéia de um estranho encontro entre a Força Aérea Americana e uma nave alienígena em uma floresta inglesa.
As Investigações
Durante os anos de 1981 a 84, as investigações feitas pelas três pesquisadoras inglesas não esmaeceram. Uma das suas testemunhas mais importantes foi um operador civil de radar de Watton-Norfolk. Este homem relatou às pesquisadoras, que aos 27/12/80, um objeto estranho fora rastreado vindo da costa e se perdera, cerca Rendlesham Forest. O mais esquisito é que dois oficiais da Intelligentzia da Força Aérea Americana - "possivelmente a agora chamada OSI que empregou Doty no Novo México" (diz Vallee) - foi visitar esta estação de radar inglesa, dois dias depois do rastreamento e pediu as fotos das gravações para estuda-las. O homem do radar demonstrou o seu espanto diante daquele pedido e obteve o esclarecimento de que ele havia rastreado um Ufo! Este "marketing" também não combinava com o comportamento habitual da Força Aérea. Ainda por cima, os militares narraram ao espantado "homem do radar" toda a estória, inclusive a reportagem feita com os alienígenas, por seu comandante! Embora refugadas pelo "Ministro da Defesa" da Inglaterra, as pesquisadoras se encontraram com uma mulher encarregada de as receber e que lhes respondeu que nunca houve um "Encontro Imediato" e de que "jamais" havia ouvido um relatório sobre Ufos no seu escritório (grifos de Vallee). Mas houve um fato de monta: um documento encoberto pelo "Official Secrets Act", da Inglaterra, foi liberado pela Força Aérea Americana do outro lado do Atlântico, sob a proteção da "Freedom of Information Act".
O documento chave era o memorandum do Lieutnant Coronel Charles Halt. Ele autenticava os fatos. As pesquisadoras de posse deste documento retornaram à base. Foram entrevistar Halt e outros oficiais e puderam abrir muitas lacunas nas suas gravações dos relatos. Art Wallace (pseudônimo usado no livro), cujo nome real é Larry Warren, um dos que haviam observado o objeto, foi rastreado nos Estados Unidos para onde a Força Aérea o levou após o incidente, Ele forneceu muitos detalhes às pesquisadoras e elas colheram depoimentos mais importantes ainda, das testemunhas oculares do evento. As descobertas feitas não resolveram as contradições contidas nesta estória, dentro delas, haviam várias contradições. Pior exemplo: "Quem estava, realmente, no comando naquela noite? O Lieutnant Coronel Halt ou o Wing Commander Gordon Williams? Haviam alienígenas no evento ou somente luzes?" Ninguém conseguiu esclarecer estes e outros fatos circunstanciais. "Isto torna o Caso Bentwaters mais interessante, porque nos ensina sobre a natureza e a estrutura de tais observações ao redor das bases militares". J. Vallee.
A Opinião de Jacques Vallee
As investigações inglesas consideram as explicações dadas ao público, "puro lixo" (sic). Há alternativas intrigantes para se situar este caso. Para Vallee a teoria mais plausível, diante das provas e circunstâncias, é a de que os militares americanos arregimentaram aparelhos ou uma coleção deles e que se pareciam com discos voadores, destinados a testes psicológicos da arte da guerra. Segundo Vallee, eles estariam sendo ativamente empregados para testar militares. A especialização é tanta, na sua opinião, que se pode controlar as experiências e conter as suas repercussões se há uma extrapolação da estória.O OSI pode ter sido usado: a) Para calibrar as testemunhas (a visita dos oficiais ao"homem do radar"); b) Para encobertar o exercício levado a efeito. Jacques Vallee fornece um detalhamento extremo corroborando as suas hipóteses, cuja conclusão é uma só: FARSA.
Fala uma testemunha ocular
A televisão fez um documentário sobre este evento: "Dimensions in Parapsychology" (Dimensões na Parapsicologia), onde compareceu a testemunha Larry Warren. Calmo, tranqüilo, muito ralaxadamente, Warren rememorou as suas vivências em Bentwaters. Ele estava no cargo de segurança policial. Eis a sucessão dos eventos narrados por ele: Warren foi mandado acender as luzes do equipamento. Não soube o porque. Seguindo as ordens, ele dirigiu o seu "motor pool" para perto da floresta onde os veículos estavam estacionados. Recebera ordens de não levar as suas armas e caminhou para dentro da floresta com outros companheiros pertencentes ao pessoal da base. Eles pararam para descansar perto de uma paredezinha de pedra. Deste local, observaram muito fogo no chão ou uma neblina iluminada. Não vira um Ufo em lugar algum, provavelmente, diz Vallee, a cena estava sendo preparada. Todo o pessoal da base havia sido convocado desarmado, na área encoberta pelo "fog" misterioso que envolvia o local (lembrem-se do Caso Pontoise). Não parece ao leitor que as cortinas de um palco aguardavam o terceiro sinal para se abrirem? Eram quarenta, os "espectadores" já reunidos na floresta. Todos estavam munidos de câmeras, video-câmeras e câmeras cinematográficas. Larry Warren cismava o porque de toda esta parafernália, seria só para registrar aquele "foguetezinho" iluminado? Pelo rádio ouviu uma pergunta: "Porque estamos aqui"? Uma voz disse logo após: "Ele está chegando" e um Ufo sobrevoou, vindo do norte. Uma luzinha vermelha que se movia, rapidamente, vinda do norte, da costa norte do oceano. Ia voando tão ligeira que em breve assomou o local onde Warren e os outros se encontravam. Todos estavam perplexos. E a luz pousou, com uma explosão controlada e no seu lugar surgiu um disco voador. Os militares entraram em ação, dois policiais fotografaram a cena e, imediatamente, as suas câmeras foram confiscadas. O time dos desastres anunciava fortes radiações.E foi quando o Coronel Gordon Williams se apresentou às três "formas de vida" que saltaram de uma luz brilhante. Seriam alienígenas? "Ou seriam parte do experimento teatralizado"? Pergunta Vallee. É lógico que tudo aquilo seguiu uma "pontuação" teatral, tudo se desenrolou em seqüência perfeita. Havia uma série de convidados para observarem a cena armada, aquele "encontro" engedrado com tanto carinho. Todos eles foram desarmados a priori. "Não é isto que costuma suceder quando um Ufo real aterrissa. Mas é, exatamente, a seqüência de ações que alguém pode esperar quanto às reações dos homens quando um estímulo pré-arranjado está sendo testado". J. Vallee.
O Jornal Infinito convida os seus leitores a debaterem os temas revelados nesta série. Comuniquem-se conosco, oferecendo suas opiniões, sirvam-se do nosso e.mail. Gostaríamos de saber como os leitores receberam as investigações feitas pelo "Deão da Ufologia": Dr. Jacques Vallee.
* Ilustração: Claudio Salvio.
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