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Criatividade, energia de vida.

Atualmente, os artistas estão compreendendo que o desenvolvimento de suas aptidões artísticas não se destina apenas a apresentações publicas e ao reforço do ego, mas ao trabalho muitas vezes anônimo de ajudar os outros a criar.

Professores de arte deixam as escolas tradicionais para dar auxilio aos deficientes físicos e aos doentes nos hospitais. Em Itabira, Minas Gerais, promoveu-se na década de 1990 uma oficina de arte integrada par pessoas portadoras de deficiência física. Os alunos andavam de muletas ou de cadeiras de rodas, e em alguns casos arrastavam-se pelo chão, mas todos entusiasmaram com a possibilidade de se expressar por meio da arte. "A comunicação entre eles foi melhorada. Uma mocinha, portadora de deficiência auditiva, pode se comunicar desenhando" atestam os professores Ivana Andrés e Luciano Luppi. Durante o curso, foi possível desenvolver trabalhos de artes plásticas, dança, teatro e música, com exposição e uma peça encenada no dia do encerramento da oficina.

Antes, as pessoas só procuravam cursos de arte quando pretendiam seguir uma carreira profissional. Hoje, essas atividades também são consideradas como forma de harmonização do ser humano, de despertar o lúdico e a alegria de viver. Promovem não só o equilíbrio do individuo, mas também a melhoria do seu relacionamento com as outras pessoas, e com o mundo à sua volta. A arte estendida à vida é a resposta que diversos grupos de pessoas estão dando a um chamado cósmico de evolução do planeta.

Abraham Maslow, na Introdução à Psicologia do Ser, faz um estudo bem claro sobre o processo de crescimento psicológico do ser humano. Maslow baseia seus estudos em pessoas sadias e bem dotadas. Assim, o crescimento é visto não só como a compreensão dos defeitos básicos da personalidade, mas também como o desenvolvimento de capacidades e aptidões (talentos, tendências criadoras, potencialidades constitucionais.) Promover e estimular esse crescimento por meio do incentivo às aptidões individuais, possibilita o despertar do Ser Interno do homem. Temos, dentro de nós, tendências opostas. Um conjunto se apega à segurança e à defesa, temendo perder o que já possui; outro nos conduz à totalidade do eu. No processo de crescimento, o indivíduo é impulsionado, por uma necessidade interior, a se interessar por coisas positivas. Estará preparado para realizar com aptidão qualquer atividade, desde que ela se integre à sua própria e natural inclinação.

O homem que segue suas tendências naturais, que se desenvolve dentro da profissão para a qual foi chamado, está colaborando de certo modo para o seu próprio equilíbrio e para o equilíbrio daqueles que o cercam. Sentir-se integrado naquilo que se faz é fator importantíssimo para o rendimento do trabalho.

A criatividade é uma energia de vida que poderá ajudar o ser humano a encontrar os caminhos da paz. Sentimos essa energia impulsionar o cosmo e toda a criação. Podemos percebe-la em nós mesmos, em nossas relações com a natureza. Somos movidos por forcas que nos fazem criar, transformar, edificar, construir. Há uma sede de totalidade escondida no coração do homem, que o faz canalizar impulsos, conduzindo-o para o alto. Dentro desse movimento vibratório de energias combinadas, processa-se a recriação e a transformação de tudo o que existe. Uma força propulsora movimenta a vida, o canto dos pássaros, o rolar das águas, o amor, a doação e a entrega. Desperta os momentos de luz. Identifica-se com a ação e a contemplação. Sentimos sua presença na vibração interior, quando percebemos a totalidade que nos envolve. Essa energia é considerada pelos orientais como manifestação da Divina Mãe, ou energia cósmica. Os taoístas referem-se a ela como a Grande Mãe, ou o Tao.

(*) Maria Helena Andrés, artista mineira e ex-aluna de Guignard, aprendeu com o mestre a arte de desenhar e pintar. Participou de diversas Bienais Internacionais. Estudiosa do pensamento oriental e da história da arte escreveu vários livros de reflexões sobre a arte desde as suas origens até a contemporaneidade, entre eles: Os Caminhos da Arte, Encontro com os Mestres no Oriente e Vivência e Arte.
Contatos: Maria Helena Andrés: 31-35472204 ou 31-32212248


 
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