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Com bom humor: As incertezas da pré-história

“Não existiu homo sapiens – o homem sábio – depois do antepassado pré-histórico de Neanderthal ou de Cromagnon, que apenas conhecia o sílex: eis o que nos diz a ciência clássica”.
Robert Charroux foi arqueólogo, mas a sua busca estendeu-se além das fronteiras da sua profissão. Charroux explorou não só “sítios” arqueológicos em várias partes do planeta, mas também a história e a atividade dos homens longe dos caminhos explorados pela ciência ortodoxa. Devido a esta curiosidade de querer ver com os seus próprios olhos e não olhar com o olho alheio, segundo os seus biógrafos, Charroux é muitas vezes desprezado pelos seus colegas e os seus trabalhos e sacrifícios foram praticamente jogados afora.

No livro “Les Hommes de la Pierre Ancienne”, duas autoridades, o padre Breuil e o professor Lautier, escrevem textualmente: - “As civilizações pré-históricas conheceram igualmente o forno de cozer: forno de pedras secas do Drachenhock, circular, forno de Noailles (Corrège) de superfície retangular, feito de pedras sobrepostas, ligeiramente inclinadas para o interior e cujos espaços vazios entre os ângulos foram preenchidos com pedras menores mantidas por uma mistura de argila, calcário e areia”.
“Bela perífrase” comenta Charroux com ironia, para dizer simplesmente: pedras cimentadas.
Fazendo um consenso, Robert Charroux chega à seguinte conclusão: “se os homens da pré-história conheciam a argamassa, se sabiam cimentar, esses homens não podiam deixar de construir as paredes de suas casas, como conseqüência lógica: não habitavam em cavernas”!

Robert Charroux era cético quanto à origem do homem. Ele afirmava que esta teoria “não está de forma alguma demonstrada”. E prossegue – “Os pré-historiadores procuram desde há um século, esqueletos de homens pré-históricos com a idade de milhões de anos, susceptíveis de dar crédito à sua tese”.
Segundo ele, devido às decepções encontradas pelos cientistas, foi arquitetado um processo: “E, se admitindo que a terra fosse extremamente pouco povoada, 100.000 homens em média e 100.000 animais selvagens (o que é ridiculamente baixo), a espessura das ossadas repartidas sobre a terra durante um milhão de anos seria formada por mais de 600.000 esqueletos. É impossível que não se desagreguem matérias orgânicas em cem vezes menos tempo, mas se qualquer coisa subsistisse seria uma verdadeira montanha de ossadas.”

Charroux explica que esse processo “deu à luz” o procônsul, o homem de Grosseto, o zinjantropo, o pitecantropo, o atlantropo, o africantropo, etc., todavia o resultado não foi de monta, uma vez que pode ser resumido nas tíbias do Grosseto, no maxilar do atlantropo, num montezinho de cinzas representando o zinjantropo, numa cúpula de gesso do tamanho da palma da mão que é o sinantropo um australopiteco partido em fragmentos e um plesiantropo reduzido a migalhas. O Piltdown? Uma fraude!
Em “Lês Hommes de la Pierre Ancienne” de H. Breuil e R. Lautier, à página 150 lê-se: “Os restos humanos europeus mais antigos são infinitamente mais raros, Apenas três podem ser conservados”. O crânio de Piltdown era um desses três, mas foi, na realidade, apenas uma brincadeira de estudantes.
Robert Charroux, o arqueólogo cético, faz uma pergunta muito séria: “Como é possível apenas com uma mão cheia de ossadas, das quais uma é em gesso e as outras falsas ou contestadas, pretender edificar uma ciência exata”?
O arqueólogo parecia estar desgostoso com a sua profissão e até um pouco decepcionado com ela. Neste monólogo sobre a arqueologia, Charroux refuta “essa ciência que só se baseia em hipóteses discutíveis”.
Há uma inexistência de esqueletos de homens pré-históricos, de homens que estabeleçam os elos entre o macaco e o homem, é o que ele diz e oferece exemplos de crânios com 1100, 1200, 1300, 1400 cms3, crânios de primatas mais próximos de nós, muito facilmente descobertos e ele conclui:”Daí uma certa tendência para deturpar a pré-história! Finge-se ignorar que os homens do paleolítico sabiam construir, habitavam cidades fortificadas, com ruas, artesãos, etc. Chegam mesmo a recorrerem a seqüestros nos infernos, museus, de índices e provas”.
Não se pode confiar no carbono 14 para numerar a antiguidade de ossadas ou de matérias orgânicas é um outro dado que Charroux fornece (ano de 1963) e a sua opinião é a de que se torna insustentável que esta técnica possa fornecer quaisquer indicações cronológicas em relação à pré-história. Ele fornece dados sobre as margens de erros: o erro cíclico do carbono14 vai de 50% até 5568 anos, 80% de 5000 a 10000 anos. O carbono pode indicar 15000 ou 50000 à escolha ou ao gosto do pesquisador. A sua eficácia é discutível, se fosse real poder-se-ia calcular com exatidão as pinturas rupestres da gruta de Lascaux e ali havia também ossadas. O chefe do laboratório do Museu das Antiguidades Nacionais, francês, Jean Marichal, esclarece um ponto importante: a quantidade de matéria necessária para uma peritagem – dentes – marfim – ossos + 2,200 kg.
Nesta contingência um reparo do arqueólogo: os pedaços de crânio encontrados tiveram a sua idade determinada a partir de fragmentos com apenas algumas gramas, todo o achado não excedeu, geralmente, 300 gramas! Outro erro: as avaliações são feitas sem o julgamento de uma quantidade de imponderáveis do tipo: condições climáticas de um local do qual se ignora tudo.
O esforço feito para a indicação de uma data fixa para o surgimento do homem sobre a terra é um esforço hercúleo e mal recompensado devido à complicação de certos fatores, Por exemplo: as avaliações oscilam entre 50000 anos (para o Neanderthal e o Aurinhacense) e 10000 anos.
Com um maxilar laminado como uma chapa de ferro (de uma criança de 5 a 7 anos, por suposto) incrustado no carvão, fez-se a descoberta do homem mais velho do mundo. Seu descobridor foi o professor Johannes Hurzeler, do Museu de História Natural de Bâle. Um homem do terciário, mas o professor Hurzelir nega Darwin e o evolucionismo com veemência – “Não existe uma possibilidade em mil de o homem descender do macaco”!

Vejamos a pré-história clássica: um convite que nos faz Robert Charroux. O arqueólogo relata que a pré-história é imaginativa, supõe que os esqueletos de indivíduos que, aparentemente, foram habitantes degenerados das cavernas, seriam iguais aqueles que hoje habitam as nossas favelas e os locais mais inimagináveis deste planeta, inclusive... as cavernas... na miserabilidade da sua pobreza. Foram julgados de acordo com os objetos encontrados junto a eles. Aventa-se uma hipótese: daqui a 1000000 anos (admitindo-se uma catástrofe no planeta) o homem do futuro jamais encontrará o esqueleto de Einstein, Rodin, Renoir, Fermi e Picasso, estarão dissolvidos em cinzas juntamente com os seus caixões. O homem do futuro, talvez, um arqueólogo, indo pesquisar uma caverna do Poitou, de Indre-et-Loire ou da Provença, exumará o esqueleto de um mendigo ou de um bêbado tipo antigo troglodita (existem milhares na França, pontua Charroux) que tivesse morrido na sua cavena-habitação. Este esqueleto estaria em ótimo estado de conservação no calcário seco e resistira á passagem dos tempos. Então o que aconteceria? Nada mais, nada menos que o seguinte: os pré-historiadores do ano 1001 963 deduziriam, gravemente e em coro:”o homem do século 20 depois de Cristo media 1,60 m. Era corcunda, tinha pernas tortas, era escrofuloso. O seu volume craniano era de 1500 cm3 e o seu intelecto ligeiramente mais evoluído do que o de um gorila. A sua civilização permitiria o conhecimento do cântaro de barro. Tinha como abrigo pedras sobrepostas e não conhecia nem a habitação nem, por conseguinte, a porta, a janela, a chaminé”!
Neste contexto Charoux acrescenta mais um item: “se o troglodita fosse um antigo soldado do 6º regimento de engenharia decaído, poderiam ser encontrados junto do seu esqueleto os dois “sílices da praxe” que devem figurar na mochila dos atiradores da 1ª classe para provocarem uma explosão retardada. Então, logicamente, os meus colegas do futuro concluiriam: o homem de 1963 ignorava o ferro e o bronze (destruídos em poucos milênios) e estava ainda na era do sílex”...

Afinal de contas, um pouco de bom humor não faz mal à ciência!...


Bibliografia

- A História Desconhecida dos Homens – desde há cem mil anos – Robert Charroux, arqueólogo – editora Bertrand – Lisboa.


 
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